31 de julho de 2025
SAÚDE

HPV: vacina salva vidas, mas mitos sobre sexo precoce e infertilidade ainda atrapalham adesão no Brasil

Especialista do Instituto Butantan desmonta fake news e reforça: imunizante é seguro, eficaz e protege contra cânceres do colo do útero, pênis, garganta e ânus

Por Redação
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A vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente via Sistema Único de Saúde (SUS) para a faixa etária de 9 a 19 anos - Foto: Comunicação Instituto Butantan/divulgação

Apesar de ser uma das armas mais poderosas contra vários tipos de câncer, a vacina contra o HPV (papilomavírus humano) ainda enfrenta uma barreira perigosa: a desinformação. Mitos sem base científica, como a ideia de que o imunizante incentivaria o início precoce da atividade sexual ou causaria infertilidade, continuam a circular e a reduzir a adesão à campanha de vacinação, colocando vidas em risco.

Os números mostram a urgência do tema. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima cerca de 17 mil novos casos e 7.209 mortes por câncer de colo do útero a cada ano no Brasil, sendo esta a segunda causa de morte por câncer entre mulheres. Já o câncer de pênis, associado ao HPV, representa 2% de todos os tumores no país, com maior incidência nas regiões Norte e Nordeste.

Em entrevista, o pediatra e gestor médico do Instituto ButantanDr. Mário Bochembuzio, rebate os principais boatos:

  • Sexo precoce? “Não existe nenhuma evidência científica que comprove essa relação. A vacina é uma forma de proteção contra doenças graves que afetam a vida adulta.”
  • Causa câncer? “A vacina previne o câncer. Ela contém partículas que imitam o vírus, mas sem material genético, sendo incapaz de causar infecção ou doença.”
  • Infertilidade ou trombose? “Não há evidências que liguem a vacina a esses problemas. Um grande estudo na Dinamarca com 500 mil mulheres não encontrou relação com trombose.”

O especialista reforça que a vacina é segura e altamente eficaz, especialmente quando aplicada entre 9 e 14 anos, idade em que a resposta imunológica é mais robusta. O imunizante é aprovado pela Anvisa e integra o Calendário Nacional de Vacinação desde 2014, estando disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 19 anos, além de grupos prioritários.

Um equívoco persistente é achar que a vacina é necessária apenas para mulheres. Um estudo global de 2023 publicado na The Lancet Global Health revelou que um em cada três homens acima de 15 anos no mundo está infectado com pelo menos um tipo de HPV genital, muitos de alto risco.

A vacinação dos meninos é, portanto, uma estratégia de dupla proteção: guarda a saúde individual deles contra cânceres de pênis, ânus e orofaringe (garganta) e ainda contribui para a redução da circulação do vírus na comunidade, protegendo todos.

“A vacinação de meninos e meninas é uma estratégia coletiva que pode mudar a realidade do câncer associado ao HPV no futuro”, conclui o Dr. Bochembuzio. Superar os mitos e ampliar a cobertura vacinal é um passo decisivo para salvar milhares de vidas.