Empresário preso na Operação Sem Desconto depõe nesta segunda-feira
Sandro Temer de Oliveira, ligado a associações acusadas de descontos ilegais de aposentados, será ouvido por senadores
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS marca o início de uma semana decisiva com um depoimento de alto impacto. Nesta segunda-feira (1º), às 16h, os senadores ouvem o empresário Sandro Temer de Oliveira, preso pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto e apontado como peça-chave em um esquema de descontos ilegais que lesou milhares de aposentados e pensionistas.
Sandro foi convocado a pedido dos senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Alessandro Vieira (MDB-SE). Segundo as investigações, ele e seu sócio, Alexsandro Prado Santos, controlavam duas associações sediadas em Sergipe – a AAPPS Universo e a APDAP Prev – usadas para efetuar descontos mensais compulsórios e fraudulentos de benefícios previdenciários.
Em seu requerimento, o senador Izalci destacou a “ostentação de um patrimônio nababesco” por parte do empresário, incluindo veículos de luxo e grandes quantias em moeda estrangeira apreendidas durante sua prisão. Para o parlamentar, o depoimento será crucial para “dissecar a anatomia desta fraude bilionária” que teria enriquecido criminosos à custa dos mais vulneráveis.
Se houver tempo hábil após a oitiva de Sandro Temer, a CPMI pretende ouvir, ainda na mesma sessão, o ex-coordenador-geral de pagamentos e benefícios do INSS, Jucimar Fonseca da Silva. Alvo de 11 requerimentos de convocação – incluindo um do senador Izalci e outro do presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG) –, Jucimar é apontado como figura central na engrenagem que permitiu os descontos irregulares.
De acordo com as apurações, o ex-coordenador teria assinado uma nota técnica que autorizou o desbloqueio em lote dos descontos associativos, atendendo a pedido de uma das entidades envolvidas no esquema. Sua posição “nevrálgica” dentro do INSS é considerada fundamental para entender como a fraude foi operacionalizada dentro da autarquia.
A expectativa é que os depoimentos ajudem a esclarecer os mecanismos do suposto esquema, que movimentou bilhões de reais e atingiu diretamente a renda de beneficiários da previdência social em todo o país.