31 de julho de 2025
importação

China cria cota para carne bovina e cobra tarifa extra sobre excedente

Medidas entram em vigor em janeiro e preveem sobretaxa de 55% para volumes acima do limite definido

Por redação
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As regras entram em vigor a partir de quinta-feira (1º) e terão validade de três anos - Foto: Reprodução/Semadesc

A China anunciou nesta quarta-feira (31) novas regras para a importação de carne bovina, que afetam diretamente o Brasil e outros grandes exportadores. As medidas estabelecem um teto anual para as exportações e impõem uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem a cota fixada, dentro do mecanismo conhecido como salvaguarda, voltado à proteção de setores estratégicos.

As regras entram em vigor a partir de quinta-feira (1º) e terão validade de três anos, até dezembro de 2028. Para o Brasil, a cota inicial será de 1,106 milhão de toneladas em 2026, com aumento gradual para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão de toneladas em 2028.

Diante do impacto da medida, o Governo de Mato Grosso do Sul articula uma reação conjunta. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, Jaime Verruck, há tratativas em andamento com outros estados e com o Ministério da Agricultura para buscar alternativas diplomáticas e comerciais.

De acordo com Verruck, a restrição preocupa por envolver dois mercados estratégicos para o Estado. Além do teto imposto pela China, o setor ainda sente reflexos de barreiras comerciais adotadas anteriormente pelos Estados Unidos. “São mercados fundamentais para a formação do preço do boi gordo e para a sustentação das exportações”, afirmou.

A salvaguarda chinesa também atinge outros grandes fornecedores. A Argentina terá cota de 511 mil toneladas em 2026; o Uruguai, 324 mil; a Nova Zelândia, 206 mil; a Austrália, 205 mil; e os Estados Unidos, 164 mil toneladas.

A China responde por cerca de 50% das exportações de Mato Grosso do Sul. Em 2025, o país asiático foi o principal parceiro comercial do Estado, com compras que somaram quase US$ 2 bilhões em soja, US$ 1,5 bilhão em celulose e mais de US$ 700 milhões em carne bovina.

Apesar do cenário de preocupação, o secretário avalia que, ao menos inicialmente, o Estado pode conseguir manter sua participação dentro da cota brasileira. Ele também destacou a abertura recente de novos mercados asiáticos como alternativa para absorver parte da produção que exceder o limite imposto pela China.

Ainda não é possível mensurar impactos diretos no preço pago ao produtor, mas a combinação entre redução da demanda e aumento de custos gera alerta no setor. “Toda medida restritiva preocupa, especialmente em um mercado internacional que é decisivo para o agronegócio”, concluiu.