31 de julho de 2025
DOSAGEM INCORRETA

Médica reconhece erro ao prescrever adrenalina que matou criança, aponta documento

Relatório do hospital enviado à Polícia Civil confirma falha na medicação

Por Redação
Publicado em
Menino Benício morreu por dosagem incorreta - Foto: Reprodução

A médica Juliana Brasil Santos reconheceu que errou ao prescrever adrenalina na veia de Benício Xavier, de 6 anos, que morreu após receber a medicação. A informação aparece no relatório encaminhado pelo hospital à Polícia Civil, ao qual a Rede Amazônica teve acesso.

Os pais afirmam que o menino morreu após receber uma dosagem incorreta durante o atendimento entre sábado, 23, e a madrugada de domingo, 24. A denúncia foi formalizada na terça-feira, 25.

Na manhã desta sexta-feira, 28, Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva chegaram à delegacia por volta das 9h30 para depor. As duas entraram na unidade com os rostos cobertos.

No documento enviado à polícia, a médica relata que comentou com a mãe da criança que a medicação deveria ser administrada por via oral. Ela disse também ter se surpreendido com o fato de a equipe de enfermagem não questionar a prescrição.

Outro relatório, produzido pela UTI Pediátrica, confirma que Benício deu entrada após a “administração errônea de adrenalina na veia”. O texto descreve que o menino apresentou taquicardia, palidez cutânea e dificuldade respiratória. O documento menciona ainda um quadro de “infecção por drogas que afetam o sistema nervoso”.

A Polícia Civil aponta Juliana Brasil como principal suspeita por ter prescrito a medicação. A técnica de enfermagem Raiza aplicou a dose seguindo o que constava na prescrição registrada pela médica.

O delegado responsável pediu a prisão preventiva da médica e classificou o caso como homicídio doloso, afirmando que houve assunção de risco.
“Se ela permanece em liberdade, ela pode normalmente depois vir trabalhar em outro hospital e colocar em risco a vida de outra pessoa. Então, se ela não verificou essa prescrição em relação a uma criança de seis anos, gerando o resultado de morte, quem me diz que ela não vai fazer isso de novo em outro hospital?”, disse o delegado Marcelo Martins.

Na noite de quinta-feira, 27, o Tribunal de Justiça do Amazonas concedeu habeas corpus preventivo à médica, impedindo sua prisão durante a investigação.

Troca de acusações e acareação
Ao deixar a delegacia, a técnica de enfermagem afirmou que apenas seguiu a ordem da médica. Segundo a polícia, houve troca de acusações durante os depoimentos, e uma acareação será marcada para confrontar as versões.

Defesa contesta investigação por homicídio doloso
O advogado de Juliana Brasil, Felipe Braga de Oliveira, afirmou que a médica não pode ser investigada por homicídio doloso e que a defesa vai contestar essa linha adotada pela Polícia Civil.

O caso
O pai, Bruno Freitas, contou que levou o filho ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. Segundo ele, a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos.

A família disse ao g1 que questionou a técnica de enfermagem ao ver a prescrição. De acordo com Bruno, logo após a primeira aplicação, Benício sofreu piora repentina.
“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, relatou o pai.