31 de julho de 2025
temor

Bolsonaro teme envenenamento na prisão e obtém autorização para receber comida de familiares

Ex-presidente alega que 'sistema' quer vê-lo morto e associa medo a caso Adélio Bispo; mesmo preso, resiste a indicar sucessor para eleição de 2026

Por Redação
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O ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro expressou a familiares e interlocutores próximos o temor de ser envenenado durante o período de detenção na carceragem da Polícia Federal em Brasília. Esse receio, e não apenas questões dietéticas, estaria por trás do pedido formal para que parentes possam lhe enviar comida na prisão.

De acordo com pessoas próximas, Bolsonaro afirmou acreditar que o que chama de "sistema" não deseja vê-lo apenas preso, mas morto. A fundamentação para essa suspeita remonta ao atentado de 2018, em Minas Gerais. O ex-presidente mantém a convicção de que Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada, não agiu sozinho e teria sido financiado pela mesma organização que, em sua avaliação, agora atuaria contra ele na prisão.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido da defesa em decisão desta terça-feira (25). Ele autorizou que uma pessoa previamente cadastrada pelos advogados leve alimentos a Bolsonaro, seguindo horários a serem definidos pela PF. A corporação ficou encarregada de fiscalizar e registrar todos os itens alimentares entregues ao ex-presidente.

Em paralelo, mesmo preso, Bolsonaro segue resistindo a apontar publicamente um nome do campo conservador para sucedê-lo na disputa presidencial de 2026. Seu receio, segundo assessores, é que uma indicação formal acelere seu isolamento político, fazendo com que seja "esquecido" pela classe política e perca capacidade de manobra para reverter a condenação.

A pressão, no entanto, é crescente. Dirigentes de partidos do Centrão defendem que o ex-presidente defina um candidato ainda este ano, argumentando que o escolhido precisa de tempo para estruturar uma pré-campanha e construir competitividade eleitoral. O impasse coloca em xeque a unidade da direita nas próximas eleições.