PF prende Anderson Torres em Brasília após condenação por tentativa de golpe
Ex-ministro da Justiça será encaminhado ao 19º BPM; prisão ocorre no mesmo dia em que STF decreta trânsito em julgado do processo do núcleo golpista
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O ex-ministro da Justiça Anderson Torres foi preso pela Polícia Federal na tarde desta terça-feira (25) em Brasília, horas após o Supremo Tribunal Federal decretar o trânsito em julgado do processo que o condenou a 24 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. Torres foi localizado no escritório de seu advogado no Lago Sul, após os agentes não o encontrarem em sua residência no Jardim Botânico.
Ex-delegado da PF, Torres cumprirá a pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha". A defesa do ex-ministro havia solicitado na véspera que ele cumprisse pena na Superintendência da PF ou no Batalhão de Aviação Operacional da PMDF, alegando que Torres trata um quadro de depressão desde sua primeira prisão, em janeiro de 2023, e faz uso contínuo de medicamentos controlados.
A condenação de 24 anos - sendo 21 anos e seis meses de reclusão e 2 anos e seis meses de detenção - foi aplicada pela Primeira Turma do STF, que considerou que Torres usou o cargo no Ministério da Justiça para tentar distorcer a percepção pública sobre as eleições de 2022. O ministro relator Alexandre de Moraes destacou em sua decisão a articulação para que a Polícia Rodoviária Federal dificultasse o acesso de eleitores às urnas em 30 de outubro daquele ano.
O tribunal também considerou crucial a atuação de Torres durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando, como secretário de Segurança Pública do DF, deixou o país dois dias antes apesar de alertas de inteligência sobre o risco de invasões. A minuta de decreto golpista encontrada em sua residência foi outro elemento decisivo para a condenação, sendo interpretada como evidência da intenção de promover intervenção irregular na Justiça Eleitoral.