31 de julho de 2025
BRASÍLIA

Promotor que investiga PCC alerta: Brasil caminha para ser narcoestado

Lincoln Gakiya, jurado de morte pela facção, disse em CPI do Senado que disputas institucionais e polarização política prejudicam combate ao crime; ele propõe criação de Autoridade Nacional

Por Redação
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Para especialista, Brasil caminha para se tornar um narcoestado - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Um dos principais promotores que investigam o Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo, Lincoln Gakiya, fez um alerta grave durante audiência na CPI do Crime Organizado do Senado nesta terça-feira (25): o Brasil caminha "a passos largos" para se tornar um narcoestado se não superar a falta de integração entre suas forças de segurança. Com 34 anos de experiência, Gakiya - que está sob ameaça de morte da facção - criticou as "disputas institucionais" entre polícias e Ministério Público que, segundo ele, impedem um combate efetivo ao crime organizado.

O promotor destacou que o principal obstáculo não é a falta de leis, mas sim a "absoluta falta de coordenação, integração e cooperação interna" entre os órgãos do Estado. A polarização política entre governos de diferentes espectros tem agravado o problema: "Dificilmente teríamos a Operação Carbono Oculto hoje: as forças federais teriam cooperação - e eu estou falando em nível de instituição, de chefia de instituição - com forças estaduais se são governos opostos politicamente?"

Gakiya revelou números alarmantes sobre a expansão do PCC: a facção está presente em todas as unidades da federação e em pelo menos 28 países, com receita anual saltando de R$ 10 milhões em 2010 para aproximadamente R$ 10 bilhões atualmente. Ele citou casos concretos de infiltração na economia formal, como empresas de ônibus em São Paulo que transportavam 25 milhões de pessoas por mês e faturavam mais de R$ 1 bilhão anual em subvenções municipais, tendo integrantes do PCC como diretores.

O sistema financeiro digital tornou-se nova fronteira para o crime, segundo o promotor: "Muitas dessas empresas de apostas [bets] estão sendo utilizadas pelo crime organizado para lavar dinheiro, principalmente por meio de contratos com influenciadores digitais". A pouca regulação das fintechs e a falta de fiscalização do Banco Central sobre essas empresas teriam facilitado a lavagem de capitais do PCC.

Sobre o projeto de lei Antifacção aprovado na Câmara, Gakiya criticou a falta de diferenciação entre líderes e "soldados" do crime organizado, defendendo que organizações mafiosas como o PCC precisam ser tratadas com ferramentas processuais mais intrusivas. Como solução, ele propôs a criação de uma Autoridade Nacional para combater o crime organizado, com representantes de todas as polícias e órgãos do Estado, como forma de superar divergências institucionais e garantir continuidade nas políticas de segurança.