Flávio Bolsonaro rejeita acordo sobre penas e diz que oposição pressionará Hugo Motta por anistia ampla
Senador afirmou que "não fará acordo" sobre dosimetria e que foco é anistia para condenados em casos de 8 de janeiro
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Em um posicionamento firme da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira (24) que a bancada pressionará o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para pautar o projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em reunião da cúpula do PL em Brasília, o parlamentar descartou qualquer negociação sobre a redução de penas via projeto da dosimetria, que está em tramitação na Casa.
"Nosso objetivo é aprovação do PL da Anistia", declarou Flávio Bolsonaro aos jornalistas. "Não fará acordo sobre dosimetria das penas", complementou, referindo-se ao projeto do qual é relator o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP). O anúncio sinaliza que a oposição pretende ir além da mera redução de penas e buscar o perdão integral, um tema considerado ainda mais sensível e de difícil aprovação.
O presidente da Câmara havia sinalizado, antes da prisão de Jair Bolsonaro, que poderia retomar a discussão sobre a anistia. No entanto, analistas avaliam que o desgaste político acumulado por Motta com a aprovação de textos polêmicos, como a PEC da Blindagem, torna pouco provável que ele queira se indispor com uma pauta de alto custo político em um ano pré-eleitoral.
A declaração do senador ocorre dois dias após a prisão preventiva de Jair Bolsonaro pela Polícia Federal, no último sábado (22). A PF justificou a medida apontando risco de fuga do ex-presidente, potencializado pela vigília convocada por Flávio em frente ao condomínio onde o pai reside.
Além do risco de fuga, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, citou em sua decisão a violação da tornozeleira eletrônica que Bolsonaro utilizava. Um vídeo que integra os autos do processo mostra o ex-presidente confessando o uso de um ferro de solda para danificar o dispositivo, que precisou ser substituído horas antes da operação policial. Bolsonaro foi sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal em setembro, pela tentativa de golpe de estado.