COP30 encerra com Pacto de Belém e fundo histórico para florestas tropicais
O presidente da conferência, o brasileiro André Corrêa do Lago, destacou que o evento “não é o fim, mas o início de uma década de mudança”
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A COP30 foi finalizada neste sábado (22) em Belém com a aprovação do Pacote de Belém, um conjunto de 29 decisões aclamadas por 195 países. O acordo inclui avanços em transição justa, financiamento climático e proteção de florestas, marcando a consolidação do multilateralismo em um momento crítico para a agenda ambiental global. O presidente da conferência, o brasileiro André Corrêa do Lago, destacou que o evento “não é o fim, mas o início de uma década de mudança”.
Entre os resultados concretos, a ministra Marina Silva celebrou a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, mecanismo que já captou US$ 6,7 bilhões para remunerar países que conservam seus ecossistemas. Outro avanço foi o compromisso de triplicar o financiamento para adaptação climática até 2035, com ênfase no apoio a nações em desenvolvimento. Ainda que a proposta de eliminação gradual de combustíveis fósseis não tenha sido aprovada por consenso, mais de 80 países endossaram a transição energética.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Mauro Vieira, em coletiva durante a Cúpula do G20, na África do Sul, reforçaram o sucesso da COP30 em três dimensões: a revitalização do multilateralismo, o aumento de recursos para adaptação e a estruturação de apoio a países em transição justa. Lula classificou o evento como “extraordinário” e enfatizou que a proposta de eliminar combustíveis fósseis “é uma discussão que veio para ficar”.
A conferência também aprovou 59 indicadores voluntários para monitorar a adaptação climática em setores como água, saúde e infraestrutura, além de um Plano de Ação de Gênero para ampliar a participação de mulheres indígenas e afrodescendentes. Na área de implementação, iniciativas como o Acelerador Global de Implementação e a Missão Belém para 1,5°C buscarão acelerar o cumprimento das metas nacionais.
Com participação recorde de povos indígenas e a força simbólica da Marcha Climática de Belém, a COP30 cumpriu seu objetivo de conectar as negociações formais à realidade das populações. Marina Silva encerrou os trabalhos reafirmando que “a coragem para enfrentar a crise climática é resultado de persistência e esforço coletivos”. A próxima edição da conferência será realizada na Austrália.