Violação com material de solda teria forçado troca da tornozeleira de Bolsonaro na madrugada
Dispositivo emitiu alerta às 0h07 e foi substituído às 1h09; em decisão, Alexandre de Moraes citou tentativa de romper equipamento para facilitar fuga para embaixada
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A tornozeleira eletrônica do ex-presidente Jair Bolsonaro precisou ser substituída de emergência na madrugada deste sábado (22) após sofrer uma violação grave envolvendo materiais de soldagem. De acordo com apuração junto a investigadores, o alarme do dispositivo soou às 0h07, acionando imediatamente a equipe de segurança responsável pelo monitoramento. A Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal confirmou a violação e realizou a troca do equipamento às 1h09, em uma ação rápida que antecedeu a execução da prisão preventiva.
Investigadores relataram que houve uma tentativa deliberada de arrancar a carcaça do dispositivo utilizando equipamentos de solda, danificando significativamente o aparelho. A Polícia Federal deverá realizar perícia técnica para detalhar o método utilizado na violação. Este incidente tornou-se um dos fundamentos centrais na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a prisão preventiva do ex-presidente.
Em sua decisão, Moraes recebeu a notificação do Centro de Integração de Monitoração Integrada do DF sobre a violação ocorrida às 0h08 e afirmou que "a informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho". O ministro destacou a proximidade estratégica do condomínio onde Bolsonaro residia com o Setor de Embaixadas Sul - apenas 13 quilômetros, distância percorrível em menos de 15 minutos de carro.
O histórico de tentativas de asilo diplomático pesou na decisão judicial. Moraes lembrou que Bolsonaro já havia passado duas noites na Embaixada da Hungria em fevereiro de 2024 e que investigações anteriores revelaram planos concretos de fuga para a Embaixada da Argentina em busca de asilo político. A Convenção de Viena de 1961, da qual o Brasil é signatário, estabelece a inviolabilidade de embaixadas, o que dificultaria significativamente a prisão do ex-presidente caso ele conseguisse adentrar uma representação diplomática.
A convocação de uma vigília pelo senador Flávio Bolsonaro na sexta-feira (21) também foi considerada pelo ministro como fator de risco, pois poderia "criar um ambiente propício para sua fuga, frustrando a aplicação da lei penal". A Lei de Execução Penal estabelece claramente que o monitorado tem o dever de zelar pelo funcionamento do equipamento e se abster de qualquer violação, sendo obrigatório comunicar problemas e receber a visita de servidores responsáveis pela manutenção do dispositivo.