Lindbergh acusa Hugo Motta de causar confusão na condução do PL Antifacção
Líder do PT critica escolha de Guilherme Derrite para a relatoria e afirma que decisão comprometeu a proposta enviada pelo governo
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O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), elevou o tom contra o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), após o deputado cobrar do governo uma justificativa para ter votado contra o PL Antifacção. Para Lindbergh, a responsabilidade pelo desgaste político recai sobre o próprio Motta, que teria conduzido de forma equivocada a tramitação do projeto.
Em entrevista, o petista afirmou que o presidente da Câmara “fez uma lambança” ao escolher Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do texto — uma proposta originalmente elaborada pelo Ministério da Justiça após meses de estudos e negociações. Segundo ele, tratava-se de um tema sensível, que exigia alguém com perfil mais neutro e capacidade de diálogo.
Lindbergh argumenta que a indicação de Derrite distorceu o eixo central do projeto enviado pelo Executivo, especialmente ao reduzir atribuições da Polícia Federal. Para o líder do PT, esse movimento desfigurou o espírito da proposta, que buscava fortalecer a integração entre órgãos de segurança e consolidar um pacto federativo mais robusto no enfrentamento às facções criminosas.
O deputado disse ter alertado Motta previamente sobre os riscos da escolha. Segundo ele, o relator já vinha se posicionando contra iniciativas do governo na área de segurança pública e não teria disposição para manter o texto original. “O que Derrite faz de imediato é retirar poder da PF”, criticou.
Lindbergh concluiu afirmando que o Executivo não mudou de posição, mas sim defendeu a proposta que ele próprio construiu. Para ele, cabe ao presidente da Câmara explicar por que optou por uma relatoria que, na avaliação do governo, acabou conduzindo o projeto para fora de seu objetivo inicial.