31 de julho de 2025
PERNAMBUCO

Vereadores de Ipojuca estavam com anotações de suposta "rachadinha", quando foram presos

Operação da Polícia Civil apreendeu R$ 17 mil em espécie e anotações que detalhariam repasses mensais de valores a servidores

Por Redação
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Flávio do Cartório (PSD), presidente da Câmara dos Vereadores de Ipojuca - Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Ipojuca

O presidente e o primeiro vice-presidente da Câmara Municipal de Ipojuca, Flávio do Cartório (PSD) e Professor Eduardo (PSD), foram presos em flagrante na tarde desta quarta-feira (19) sob suspeita de lavagem de dinheiro e envolvimento em um suposto esquema de rachadinha. A prisão ocorreu no estacionamento de um supermercado no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, durante ação de monitoramento da Polícia Civil.

Com os parlamentares, foram apreendidos R$ 17.388,00 em dinheiro vivo e anotações manuscritas que, segundo investigadores, detalhariam o “controle mensal” de um possível esquema de desvio de verbas por meio de rachadinhas — prática em que parte dos salários de servidores é devolvida a autoridades.

De acordo com a Polícia Civil, as anotações atribuídas a Flávio do Cartório listam valores e nomes de servidores da Casa, incluindo assessores e a subprocuradora legislativa. O documento menciona valores que totalizariam R$ 345.854,00 em movimentações suspeitas.

Também foram encontradas com os vereadores impressões de reportagens sobre a Operação Alvitre — investigação deflagrada em outubro que apura desvios em emendas parlamentares —, incluindo matérias sobre a remoção do delegado responsável pelo caso e sobre o assassinato de uma professora que seria testemunha.

No momento da abordagem, os dois vereadores estavam no carro de Professor Eduardo, uma caminhonete. Nele, os policiais localizaram uma sacola com R$ 14.267,00. Já no veículo de Flávio do Cartório, foi encontrada uma necessaire com dois envelopes: um vazio e outro contendo R$ 3.000, além de R$ 121 na carteira do parlamentar.

Flávio do Cartório já era alvo de um mandado de prisão preventiva por crime de peculato, também relacionado à Operação Alvitre. A ação desta quarta surgiu a partir do monitoramento que a polícia já realizava sobre seus passos.

Em nota, a direção estadual do PSD informou que “vai acompanhar as investigações referentes à prisão” dos dois vereadores e que, “assim que o processo legal for concluído, adotará as medidas cabíveis”.

A operação contou com apoio da Delegacia de Boa Viagem e segue apurando a estrutura do suposto esquema e a participação de outros envolvidos.