Pesquisa inédita mostra que falta de renda mantém maioria no tráfico de drogas no país
Estudo Data Favela ouviu quase 4 mil envolvidos com o tráfico em 23 estados e mostra que falta de renda e oportunidades é o principal motivo para entrada e permanência no crime.
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Uma pesquisa inédita do Instituto Data Favela revela que 58% das pessoas envolvidas com o tráfico de drogas deixariam voluntariamente o crime se tivessem renda estável. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (17), ouviu 3.954 indivíduos em favelas de 23 estados entre agosto e setembro deste ano o maior estudo já realizado com pessoas em atividade no tráfico.
Apesar da maioria nacional manifestar desejo de sair dessa condição, o cenário varia entre estados. No Distrito Federal, 77% afirmaram que permaneceriam no crime, enquanto apenas 7% deixariam a atividade. No Ceará, 44% disseram que não sairiam e 41% afirmaram que deixariam. Em Minas Gerais, 57% permaneceriam e 40% deixariam.
A renda insuficiente é o principal fator de permanência no tráfico: 63% ganham até dois salários mínimos e a renda média mensal é de R$ 3.536. Para 18%, não sobra dinheiro ao fim do mês. Segundo o diretor técnico do Data Favela, Geraldo Tadeu Monteiro, a baixa remuneração expõe a “armadilha” econômica do crime, que oferece pouco retorno frente ao alto risco.
A maioria também relata ter ingressado no tráfico por necessidade financeira. Para complementar a renda, 36% exercem outra atividade paralela, como bicos (42%), pequenos empreendimentos (24%) ou empregos formais (16%).
O estudo traça ainda o perfil dos entrevistados: 79% são homens, 74% se declaram negros, metade tem entre 13 e 26 anos e 80% nasceram e cresceram na mesma favela. Entre eles, 52% têm filhos e 42% não concluíram o ensino fundamental. A mãe é a principal referência afetiva para 43%, e 84% dizem que não permitiriam que seus filhos entrassem para o crime.
As entrevistas presenciais totalizaram 5 mil aplicações, das quais quase 4 mil foram validadas. O questionário teve 84 perguntas e apresenta margem de erro de 1,56 ponto percentual, com confiança de 95%, segundo o instituto vinculado à Central Única das Favelas (CUFA).