TCE-PI aponta superfaturamento e direcionamento em contrato milionário ligado a Whindersson Nunes
Embora o influenciador não conste no quadro societário da TRON na Receita Federal, é apresentado como "sócio" em materiais de divulgação da empresa
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Relatório do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) identificou indícios de superfaturamento de até R$ 2,9 milhões e direcionamento em contrato de R$ 11 milhões entre a Secretaria de Educação do estado e a TRON, empresa associada ao influenciador Whindersson Nunes. O documento também aponta risco de dano aos cofres públicos de R$ 949,9 mil.
O contrato, firmado por dispensa de licitação para fornecimento de materiais e treinamentos em robótica, recebeu críticas duras da auditoria. Segundo o TCE-PI, foram realizados pagamentos antecipados de R$ 949,9 mil — equivalentes à totalidade dos serviços de consultoria — antes da execução das atividades, o que não estava previsto no contrato.
O relatório destacou a "ausência de garantias ou comprovação de execução prévia dos serviços", configurando risco ao erário.
O tribunal apontou que o estudo técnico que justificou a dispensa de licitação "apresenta fragilidades significativas de planejamento, revelando indícios de direcionamento da contratação em favor da empresa TRON". A descrição técnica do serviço teria sido fornecida pela própria empresa, invertendo a lógica da contratação pública.
Embora Whindersson não conste no quadro societário da TRON na Receita Federal, o influenciador é apresentado como "sócio" em materiais de divulgação da empresa. Em dezembro de 2023, ao receber o Troféu Influência Digital, ele afirmou: "tinha uma empresa no Piauí — a Tron". O post no Instagram foi posteriormente apagado.
Posicionamento
A Secretaria de Educação informou que ainda não foi notificada sobre o relatório, mas que prestará todos os esclarecimentos durante a apuração. Whindersson Nunes e a TRON não se manifestaram.
Em nota anterior, advogados do influenciador afirmaram que sua relação é com a matriz da TRON, não com a franquia do Piauí, atuando como "embaixador" em modelo de "media for equity". No entanto, ambas as empresas têm o mesmo proprietário, o físico Gildário Lima.
O relatório do TCE-PI relaciona oito irregularidades graves no contrato, abrangendo desde a preparação até a execução do mesmo.