PF investiga uso de viagem de Alckmin à China por lobista em suposto esquema de desvio de verbas da educação
Kalil Bittar, ex-sócio de "Lulinha", teria usado imagens da comitiva para demonstrar influência no governo
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A Polícia Federal (PF) menciona em relatório da Operação Coffee Break que o lobista Kalil Bittar teria usado uma viagem do vice-presidente Geraldo Alckmin à China para promover sua influência no Governo Federal. As investigações apontam que Bittar, ex-sócio de Luís Cláudio Lula da Silva ("Lulinha"), recebia "mesadas" de R$ 210 mil do empresário André Gonçalves Mariano para defender interesses privados em órgãos públicos. A informação é da coluna de Andrezza Matais, do portal Metrópoles.
De acordo com a decisão judicial da juíza Raquel Coelho Dal Rio Silveira, Bittar enviou fotos da China em 8 de junho de 2024, período em que Alckmin estava em Pequim com comitiva brasileira. As imagens, obtidas através de pesquisas em redes sociais do perfil "apexbrasil", mostrariam Bittar integrando a comitiva, sendo utilizadas para sustentar seu acesso às autoridades.
A investigação revela que Mariano coordenava um esquema de pagamento de propina a servidores públicos e lobistas para vencer licitações em quatro municípios paulistas. Kalil Bittar integrava um núcleo de influência responsável por captar verbas federais para viabilizar a abertura de editais e pregões. Segundo a PF, os produtos da Life Tecnologia, empresa de Mariano, chegavam a ser vendidos por até 35 vezes seu valor de mercado - um livro comprado por R$ 5 era revendido por R$ 80.
O esquema teria se intensificado após as eleições de 2022, quando Mariano montou um núcleo de influência incluindo a ex-nora do presidente Lula, Carla Ariane Trindade, Magno Romero Rabelo, e secretários de Hortolândia. Bittar passou a ser visto como peça-chave para ampliar a atuação em "novos ministérios", "MEC" e "estados do PT".
A assessoria de Alckmin afirmou ao Metrópoles que o vice-presidente "viajou à China em voo comercial, em classe econômica, não levou nenhum empresário nem comitiva consigo" e que "empresários brasileiros que estiveram na visita não foram convidados pessoalmente pelo vice-presidente". Sobre as fotos, destacou que Alckmin "permite-se fotografar com quem lhe pede, independentemente de conhecer a pessoa ou não".
A Operação Coffee Break, deflagrada na última quarta-feira (12), cumpriu 50 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva, investigando desvios que envolvem o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e o Ministério da Educação.