31 de julho de 2025
PERNAMBUCO

Justiça determina soltura com tornozeleira eletrônica para homem que confessou feminicídio de jovem grávida

Decisão judicial em Pesqueira determinou liberdade provisória para acusado de matar Júlia Eduarda, de 26 anos

Por Redação
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Júlia Eduarda Andrade dos Santos, de 26 anos, foi encontrada morta em São Bento do Una - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Em decisão que gerou forte repercussão, a Justiça determinou nesta quinta-feira (13) que o homem de 43 anos que confessou o assassinato de Júlia Eduarda Andrade dos Santos, jovem de 26 anos grávida de quatro meses, seja colocado em liberdade provisória após a instalação de tornozeleira eletrônica. O equipamento deve ser instalado em até cinco dias, período em que o acusado permanecerá no Presídio de Pesqueira.

O juiz homologou o flagrante pelos crimes de ocultação de cadáver e feminicídio, mas negou a prisão preventiva por entender que o crime pelo qual o flagrante foi originalmente lavrado (ocultação de cadáver) tem pena máxima de três anos, o que impediria a adoção da medida cautelar mais severa. A decisão judicial afirma que, por se tratar de infração com pena baixa e considerando que o acusado não tem antecedentes criminais, eventual condenação tenderia ao regime aberto ou à suspensão condicional da pena.

O Ministério Público havia solicitado a prisão preventiva pelo feminicídio, crime já confessado pelo autuado. No entanto, o magistrado explicou que a análise desse pedido específico não compete ao juízo da custódia, devendo ser apreciado por uma das varas da Comarca de São Bento do Una, onde o crime ocorreu, para onde o processo será redistribuído.

Medidas cautelares impostas ao acusado: manter endereço atualizado na Justiça, comparecer mensalmente ao fórum, recolher-se em casa às 22h, abster-se de consumir drogas ilícitas e bebidas alcoólicas e pagar fiança de um terço do salário mínimo em quatro dias.

Júlia Eduarda estava desaparecida desde a manhã da última quarta-feira (5), quando saiu de casa para encontrar-se com o pai da criança que esperava. Seu corpo foi encontrado após sete dias de buscas em uma área de mata na zona rural entre São Bento do Una e Sanharó, com ferimentos provocados por arma branca. O acusado confessou ter matado a vítima com um golpe de martelo e utilizado sacolas plásticas para provocar asfixia.

A decisão da Justiça provocou manifestações de moradores em frente à delegacia de São Bento do Una, que pediam justiça pelo crime. O processo seguirá agora para a comarca onde o feminicídio ocorreu, que analisará o pedido de prisão preventiva formulado pelo Ministério Público.