Deputado investigado buscou encontro com relator da CPMI do INSS antes de ser alvo da PF
Aliados de Euclydes Pettersen procuraram Alfredo Gaspar para tentar aproximação semanas antes da operação Sem Desconto
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O deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), alvo de mandados de busca e apreensão na nova etapa da operação Sem Desconto, da Polícia Federal, tentou abrir diálogo com o relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), pouco antes de ser citado nos trabalhos da comissão. A movimentação ocorreu por meio de parlamentares próximos ao mineiro, que procuraram Gaspar em outubro, relatando o interesse do deputado em tratar das acusações que envolvem entidades investigadas por fraudes em descontos aplicados a beneficiários do INSS. O relator, porém, não aceitou o encontro.
Pettersen é apontado pelos investigadores como integrante do “núcleo político” do esquema. A PF identificou que ele vendeu um avião ao presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT), Vinicius Ramos da Cruz — dirigente de ONG associada à Conafer, uma das entidades no centro das apurações — após o pagamento de R$ 2,5 milhões ao parlamentar via emendas. O caso é um dos pontos que despertaram suspeitas e passaram a atrair atenção da CPMI.
Mesmo após a tentativa de aproximação, Gaspar defendeu que Pettersen fosse ouvido pelo colegiado e apresentou, em 3 de novembro, requerimento para convidar o deputado a prestar esclarecimentos. Segundo Gaspar, há ambiente favorável para a votação do pedido, embora a decisão final dependa do presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Viana afirmou que o tema deverá ser pautado, mas ponderou que a agenda apertada de dezembro pode empurrar a oitiva para 2026, caso seja necessário reabrir o calendário.
Em nota divulgada após a operação da PF, Pettersen afirmou ter recebido a ação “com serenidade” e manifestou confiança nas investigações. Disse já ter sido alvo de outras operações sem que denúncias prosperassem e declarou apoio ao trabalho das autoridades.