31 de julho de 2025
MEIO AMBIENTE

Na COP30, Brasil busca consenso para meta global de adaptação e enfrenta proposta de adiamento

Grupo Africano defende postergar decisão sobre indicadores climáticos para 2027, enquanto liderança brasileira afirma que acordo é "mandato obrigatório" para este ano

Por Redação
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Presidência brasileira tenta garantir que acordo avance - Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Diplomatas brasileiros na COP30 trabalham para construir consenso em torno da Meta Global de Adaptação (GGA), um dos acordos mais esperados da conferência, enfrentando uma proposta do Grupo Africano que pode adiar a decisão final até 2027. O impasse surge em um momento crucial das negociações sobre mudanças climáticas.

A embaixadora Liliam Chagas, diretora do Departamento de Clima do Itamaraty, enfatizou que a definição dos 100 indicadores globais de adaptação é uma prioridade imediata. "Este é o mandato para este ano e, como presidentes do processo, acreditamos que uma forma muito concreta de fortalecer o multilateralismo é cumprir este mandato", declarou durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (12).

O tensionamento ocorre enquanto as delegações buscam finalizar a seleção de indicadores que viabilizarão financiamento para ações concretas de adaptação climática. O Grupo Africano, representando 54 países, propôs estender o trabalho técnico por mais dois anos, preocupando observadores e outros países que temem atrasos na implementação de medidas urgentes.

A sociedade civil manifesta preocupação com possível procrastinação. "Agir pela adaptação significa poupar vidas e recursos. Adiar a decisão para outro ano só vai sinalizar que os países não consideram adaptação tão importante quanto dizem nos discursos", alerta Flávia Martinelli, especialista em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil.

Em avanço logístico significativo, a COP30 aprovou sua agenda principal no primeiro dia - fato incomum em conferências climáticas. No entanto, quatro itens sensíveis permanecem em consultas bilaterais, incluindo o artigo 9.1 do Acordo de Paris, que trata do financiamento de países desenvolvidos para nações em desenvolvimento.

Especialistas acompanham as negociações com expectativa. Caio Victor Vieira, do Instituto Talanoa, espera que "as partes consigam colocar isso na pauta e decidir de maneira coletiva nesses pontos ainda tão tensos", destacando a necessidade de soluções criativas para os impasses restantes.