31 de julho de 2025
investigação

CPI do Crime Organizado no Senado debate classificar facções como terrorismo e convoca ministros

Comissão aprovou convocação de Lewandowski e Mucio e estuda ouvir chefes do PCC; relator quer antecipar relatório para evitar influência eleitoral em 2026

Por Redação
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A comissão aprovou a convocação do Ministro Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) - Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A CPI do Crime Organizado, instalada no Senado Federal para investigar a atuação de facções e milícias em território nacional, avança em seus trabalhos com debates sobre medidas de enfrentamento e a convocação de autoridades. Recentemente, a comissão aprovou os convites aos ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e José Mucio (Defesa), que deverão prestar esclarecimentos sobre as ações do governo federal no combate ao crime organizizado.

Além dos ministros, a CPI aprovou convocações para governadores, secretários de Segurança e os diretores-gerais da Polícia Federal e da Abin. Um dos pontos centrais de divergência entre os senadores é a proposta de enquadrar as facções criminosas, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas. Enquanto parte dos parlamentares defende que a medida imporia um tratamento jurídico mais rigoroso, outros alertam para possíveis efeitos colaterais, inclusive no âmbito diplomático.

Paralelamente ao debate conceitual, a comissão se organiza para investigações operacionais. Entre os próximos passos está a votação de convocações de lideranças faccionais, como Sérgio de Lima, o "Tuta", apontado como chefe do PCC. O objetivo é esclarecer os métodos de atuação da organização dentro e fora dos presídios. Os parlamentares também pretendem analisar os vínculos das facções com o tráfico internacional e crimes financeiros.

Com prazo de funcionamento até abril de 2026, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), já planeja antecipar a entrega do relatório final. A estratégia busca evitar que as propostas legislativas resultantes dos trabalhos sejam influenciadas pelo contexto da campanha eleitoral municipal do próximo ano, preservando o foco técnico das recomendações.