31 de julho de 2025
MEIO AMBIENTE

COP30 começa em Belém com desafio de transformar promessas climáticas em ação concreta

Conferência na Amazônia reúne mais de 50 mil pessoas com foco em financiamento, transição energética e adaptação

Por Redação
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O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, na abertura da Pré-COP30. - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Belém se transforma a partir desta segunda-feira (10) na capital global do clima, recebendo a COP30 – primeira conferência climática da ONU realizada na Amazônia. Até 21 de novembro, a cidade reunirá delegações de 194 países e mais de 50 mil participantes em um momento crucial para implementar ações concretas contra a crise climática.

A conferência herda o desafio de transformar os acordos políticos em medidas práticas. "A COP30 é a COP da verdade", afirmou o presidente Lula durante a Cúpula do Clima que antecedeu o evento. O líder brasileiro destacou a urgência de financiamento para adaptação e de um plano concreto para afastar o mundo da dependência de combustíveis fósseis – responsáveis por 75% das emissões globais.

Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, reforça: "O presidente Lula disse que quer ver um mapa do caminho - um roteiro de como faremos a transição, com prazos e financiamento definidos".

Três eixos centrais guiarão as discussões:

  1. Transição Energética Justa: Criação de um programa de trabalho para garantir que trabalhadores de setores poluidores sejam reinseridos na economia de baixo carbono.
  2. Adaptação Climática: Definição de indicadores para medir como países se preparam para eventos extremos, como tornados e secas.
  3. Implementação do Acordo de Paris: Operacionalização das recomendações do primeiro Balanço Global feito na COP28.

O financiamento permanece como principal obstáculo. "Os países ricos prometeram financiar a transição, mas o dinheiro nunca apareceu", critica Astrini. Para enfrentar este desafio, foi apresentado o "Mapa do Caminho de Baku a Belém", que busca viabilizar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático.

O Brasil chega com uma proposta concreta: o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado com aportes prometidos de US$ 5,5 bilhões para proteger florestas em 70 países, destinando 20% dos recursos a comunidades tradicionais e indígenas.

Além das negociações oficiais na Zona Azul, a COP30 se destaca pela histórica participação social. A Zona Verde, área pública e gratuita, receberá comunidades tradicionais, indígenas, jovens e cientistas. A Cúpula dos Povos, na UFPA, reunirá movimentos sociais de 62 países, com uma marcha prevista para sábado (15).

"Precisamos chamar quem de fato lida com a proteção territorial para a mesa de negociação. De igual para igual", defende Dinamam Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Enquanto isso, dentro dos salões de negociação, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, trabalha para construir consensos entre as 198 partes – em um processo notoriamente complexo que determinará se Belém será lembrada como o momento em que o mundo finalmente agiu contra a crise climática.