31 de julho de 2025
MEIO AMBIENTE

COP30 começa em Belém: o que esperar da conferência do clima na Amazônia

Conferência na Amazônia terá negociações cruciais sobre transição energética, financiamento e adaptação; Brasil busca liderar agenda global

Por Redação
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Local da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) - Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

A 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30) inicia oficialmente nesta segunda-feira (10) em Belém, no Pará, marcando um momento histórico como a primeira edição realizada no coração da Amazônia. Nos próximos dias, cerca de 50 mil pessoas — incluindo diplomatas, líderes mundiais, cientistas e ativistas — se reunirão para negociar os rumos da ação global contra a crise climática, em um contexto de recordes consecutivos de temperatura no planeta.

Os Três Pilares da COP30

As discussões em Belém se organizam em torno de três eixos principais, considerados fundamentais para conter o aquecimento global:

  1. Transição Energética: O Brasil, na presidência da conferência, pretende liderar a criação de um "mapa do caminho" concreto para transformar o acordo político da COP28 em um plano de ação com metas, prazos e responsabilidades definidas para a substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis.
  2. Financiamento Climático: Um dos temas mais espinhosos, o debate girará em torno do "Roteiro de Baku a Belém", que busca mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035. Países em desenvolvimento exigem recursos acessíveis, com mais doações e menos dívida, para viabilizar suas metas climáticas.
  3. Adaptação: Será discutido o Objetivo Global de Adaptação (GGA), um mecanismo para medir como os países estão se preparando para os impactos climáticos já inevitáveis, como secas extremas e enchentes.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à COP30 com o objetivo de consolidar o Brasil como um protagonista e mediador entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. A estratégia brasileira inclui:

  • Defender uma "transição justa" que inclua os chamados combustíveis sustentáveis (como biocombustíveis e hidrogênio verde) para setores de difícil eletrificação, por meio do "Compromisso de Belém".
  • Promover o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), um mecanismo financeiro inovador que busca gerar recursos perenes para países que conservam suas florestas, usando investimentos de renda fixa em vez de doações.

No entanto, o governo enfrenta o desafio de conciliar esse discurso com a polêmica autorização para exploração de petróleo na margem equatorial, concedida poucos dias antes do evento.

O sucesso da COP30 depende da costura diplomática do embaixador André Corrêa do Lago, presidente da conferência, e da eficiência operacional de Ana Toni, diretora-executiva. Os resultados concretos esperados incluem:

  • Metas mais ambiciosas (NDCs): Pressão para que os países apresentem compromissos de corte de emissões alinhados com a meta de 1,5°C, fechando a lacuna de ambição atual.
  • Estruturar o "mapa do caminho" da transição energética, definindo etapas e responsabilidades claras.
  • Avançar no financiamento, tornando os recursos mais previsíveis e acessíveis para nações vulneráveis.

A conferência é vista como um teste crucial para traduzir promessas em ação efetiva, em um momento em que os sinais da crise climática se tornam cada vez mais evidentes e urgentes.

Com informações do G1