31 de julho de 2025
defesa da paz

Lula critica ações militares e alfineta Trump em cúpula na Colômbia

Presidente defende paz na América Latina e condena o uso da força durante encontro da Celac e União Europeia

Por Redação
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O pronunciamento ocorre em meio às negociações entre Brasil e Estados Unidos para reduzir tarifas impostas durante o governo Trump - Foto: Reprodução

Durante a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia, realizada neste domingo (9) em Santa Marta, na Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso em defesa da paz regional e condenou o uso da força militar na América Latina e no Caribe.

Sem citar diretamente os Estados Unidos, Lula afirmou que “a ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte da América Latina e do Caribe”, classificando as recentes ofensivas na região como “intervenções ilegais”. O presidente destacou ainda que “democracias não combatem o crime violando o direito internacional”.

A fala foi interpretada como um recado ao presidente norte-americano, Donald Trump, após as operações militares dos EUA no Mar do Caribe e no Pacífico, justificadas como ações contra o tráfico de drogas. A ofensiva foi vista como uma forma de pressão sobre o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela.

Lula também defendeu o combate ao crime organizado por meio da cooperação internacional e do bloqueio financeiro das facções. “A segurança é um dever do Estado e um direito humano fundamental. É preciso reprimir o crime e suas lideranças, estrangulando o seu financiamento e eliminando o tráfico de armas. Nenhum país pode enfrentar esse desafio isoladamente”, afirmou, citando o recente confronto no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos.

O presidente aproveitou o discurso para criticar a fragmentação política da região. “Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria. A intolerância vem impedindo que diferentes pontos de vista se sentem à mesma mesa”, declarou, em referência indireta ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O pronunciamento ocorre em meio às negociações entre Brasil e Estados Unidos para reduzir tarifas impostas durante o governo Trump e rever sanções aplicadas a autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre de Moraes, incluído na Lei Magnitsky.

A cúpula da Celac e da União Europeia reúne líderes de 60 países com o objetivo de fortalecer o diálogo birregional e discutir o acordo de livre comércio entre Mercosul e UE. Lula foi o único chefe de Estado latino-americano, além do anfitrião Gustavo Petro, a participar presencialmente.

O encontro antecede a abertura da COP30, que começa nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), sob a presidência do Brasil.