Primeira mulher negra assume cadeira na ABL
Escritora Ana Maria Gonçalves chega à Academia Brasileira de Letras e reforça diversidade e representatividade
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A escritora Ana Maria Gonçalves se tornou a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL). A cerimônia ocorreu na noite de sexta-feira (7) no Rio de Janeiro, quando Ana Maria assumiu a cadeira número 33, dedicada ao fundador Domício da Gama, e destacou a importância da ancestralidade e da diversidade na literatura brasileira.
Autora do romance histórico Um defeito de cor, a escritora homenageou as mulheres que abriram caminho na ABL, como Rachel de Queiroz, Lygia Fagundes Telles e Nélida Piñon, além de citar a contribuição de autores negros e movimentos que reforçam a inclusão na instituição.
Durante o discurso, Ana Maria reforçou seu compromisso com a promoção da diversidade e a abertura da Academia ao público. “Cá estou eu, 128 anos depois da fundação, como a primeira escritora negra eleita, falando português e escrevendo a partir de noções de oralidade e escrevivência. Assumo como missão promover a diversidade nesta Casa”, disse.
A cerimônia contou com a participação de figuras como Ana Maria Machado, Gilberto Gil, Rosiska Darcy de Oliveira, Fernanda Montenegro e Miriam Leitão, que ressaltaram o simbolismo histórico da posse. Conceição Evaristo definiu o momento como “uma conquista coletiva” para mulheres negras e escritoras no país.
O evento marcou ainda a celebração da trajetória do livro Um defeito de cor, com um jantar inspirado na obra e na cultura africana, reforçando o vínculo entre literatura, identidade e memória histórica.