31 de julho de 2025
Morte por envenenamento

Morte de casal gay ganha nova reviravolta e caso vira investigação policial

Everaldo Gregório e o americano Thomas Lydon, juntos há mais de 30 anos, morreram com poucos dias de diferença; investigação aponta plano com motivação financeira e uso de sedativo controlado

Por Redação
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Morte de casal gay ganha nova reviravolta e caso vira investigação policial - Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Minas Gerais apura as mortes de Everaldo Gregório de Souza, de 60 anos, e do americano Thomas Stephen Lydon, de 65, ocorridas em junho deste ano, em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. O casal, que vivia junto há mais de três décadas, foi envenenado com fenobarbital — um sedativo de uso controlado —, segundo laudos periciais. Inicialmente tratadas como mortes naturais, as circunstâncias levantaram suspeitas e levaram à prisão de duas pessoas próximas às vítimas: a irmã de Everaldo e um amigo do casal.

Thomas morreu no dia 20 de junho e Everaldo, seis dias depois. Na época, os atestados de óbito indicavam causas naturais — câncer de pele para o americano e suposto coma alcoólico para o companheiro. Nenhum dos corpos passou por perícia, e os enterros ocorreram rapidamente.

A versão começou a ruir quando familiares de Everaldo procuraram a polícia em julho, questionando a ausência de informações sobre a internação e a rapidez do sepultamento de Thomas. A partir daí, os investigadores solicitaram a exumação dos corpos. O exame toxicológico de Everaldo revelou alta concentração de fenobarbital, substância que deprime o sistema nervoso central e pode causar parada respiratória.

Suspeitos e motivações
Foram presos uma mulher de 52 anos, irmã de Everaldo, e um homem de 35 anos, amigo próximo de Thomas. Segundo a polícia, eles tinham livre acesso à casa do casal e aproveitaram a confiança das vítimas para executar o plano. As investigações indicam que ambos manipularam documentos médicos e financeiros após as mortes, tentando dar aparência de legalidade às movimentações.

A principal linha de investigação aponta motivo financeiro. Após as mortes, os suspeitos teriam movimentado mais de R$ 1,3 milhão em valores e bens das vítimas. Entre as operações identificadas estão o resgate de uma aplicação de R$ 379 mil e a venda da casa onde o casal morava, avaliada em cerca de R$ 950 mil.

Os policiais também encontraram indícios de falsificação:

  • uma apólice de seguro de vida com a irmã de Everaldo como beneficiária;
  • uma procuração que dava amplos poderes ao amigo preso, inclusive para restringir o acesso da família ao prontuário médico;
  • e tentativas de transferir o imóvel para terceiros, o que indicaria tentativa de ocultação de patrimônio.

Prisão e próximos passos

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 1,5 milhão em bens e o sequestro de veículos registrados em nome dos investigados. Os dois estão presos preventivamente e devem responder por homicídio duplamente qualificado, falsificação de documentos e uso de documento falso.

O laudo toxicológico de Thomas ainda está em andamento, assim como a perícia dos documentos apreendidos. Uma advogada ligada a um dos suspeitos também é investigada por, supostamente, orientar testemunhas a mentir.

O advogado da família, Thiago de Castro, afirmou que os parentes esperam punição exemplar.

“Foi uma perda irreparável. O mínimo que a família espera é que a Justiça responsabilize quem agiu com tanto cálculo e crueldade”, declarou.