Cinco homens são condenados a mais de 20 anos por matar jovem e enterrar corpo em lixão
Tribunal de Caruaru reconheceu homicídio qualificado, ocultação de cadáver, associação criminosa e corrupção de menores no caso de Eduardo Nery dos Santos, de 26 anos
Publicado em
Cinco homens foram sentenciados a mais de 20 anos de prisão cada um pelo assassinato de Eduardo Nery dos Santos, de 26 anos, em Cumaru, no Agreste pernambucano. O crime, ocorrido em março de 2021, chocou a região pela brutalidade: a vítima foi atraída para uma emboscada, executada a tiros e enterrada em uma cova improvisada nas proximidades do lixão municipal.
O julgamento, realizado na última quinta-feira (30) no Fórum de Caruaru, durou cerca de 12 horas e contou com a presença de familiares da vítima e dos réus. Durante a sessão, o Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade dos cinco acusados pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, associação criminosa e corrupção de menores.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco, o grupo agiu de forma planejada, utilizando um revólver calibre 32 para executar Eduardo Nery. O corpo da vítima foi enterrado em área isolada, tornando o acesso difícil e evidenciando a tentativa de ocultação do crime.
As investigações apontam que o assassinato está ligado a disputas pelo tráfico de drogas entre os municípios de Cumaru e Salgadinho. Durante a apuração, a polícia apreendeu celulares dos acusados, cujas mensagens e registros ajudaram a comprovar não apenas a execução, mas também a participação contínua dos réus em atividades ilícitas, incluindo o porte ilegal de armas e a manutenção de depósitos de entorpecentes.
O processo também revelou a participação de um adolescente, que teria sido corrompido pelos suspeitos para auxiliar no crime, levando à inclusão do delito de corrupção de menores na denúncia.
Devido à periculosidade dos réus e ao risco de pressão sobre a população local, o Tribunal de Justiça decidiu transferir o julgamento para Caruaru. Na sentença, a juíza presidente do Júri ressaltou o planejamento meticuloso do crime, o nível de violência empregado e a atuação organizada do grupo como fatores determinantes para as penas em regime fechado.
Os condenados permanecem presos e não poderão recorrer em liberdade.