ONU alerta que 2025 deve ser o segundo ou terceiro ano mais quente já registrado
Relatório da Organização Meteorológica Mundial aponta níveis recordes de gases de efeito estufa e aceleração de eventos extremos
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A Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmou nesta quinta-feira (6) que 2025 deve se tornar o segundo ou o terceiro ano mais quente da história, mantendo a tendência de aquecimento extremo observada na última década. O relatório foi divulgado às vésperas da COP30, em Belém (PA), e alerta que o planeta segue registrando recordes de calor mês a mês.
De acordo com a OMM, as concentrações de gases de efeito estufa e o calor nos oceanos atingiram níveis sem precedentes. O relatório mostra que, de janeiro a agosto deste ano, a temperatura média global ficou 1,42 °C acima da era pré-industrial, ligeiramente abaixo do recorde de 2024 (1,55 °C). Ainda assim, os últimos 11 anos foram os mais quentes desde o início dos registros, há 176 anos.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que será “praticamente impossível” limitar o aquecimento global a 1,5 °C sem que esse limite seja temporariamente ultrapassado. Mesmo assim, ela reforçou que é “essencial e possível” reduzir as temperaturas até o fim do século.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também destacou o alerta durante discurso na Cúpula dos Líderes da COP30. “Cada ano acima de 1,5 °C trará impactos severos à economia, agravará desigualdades e causará danos irreversíveis”, disse.
O relatório aponta que o CO₂ atingiu 423,9 partes por milhão em 2024, o valor mais alto já registrado, com aumento de 3,5 ppm em apenas um ano. Desde 1750, a concentração de dióxido de carbono subiu 53%, a de metano 166% e a de óxido nitroso 25%.
O nível dos oceanos também chegou ao recorde histórico em 2024, enquanto o gelo do Ártico atingiu a menor extensão já observada. A OMM informou ainda que as geleiras perderam, em média, 1,3 metro de espessura entre 2023 e 2024, a maior redução desde 1950.
O relatório cita que o aquecimento global tem provocado desastres em várias regiões. Nos Estados Unidos, enchentes no Texas deixaram mais de 130 mortos; na Europa, ondas de calor chegaram a 50 °C e causaram incêndios em milhares de hectares; e na África, ciclones e inundações deixaram milhares de desabrigados.
No Brasil, a seca prolongada voltou a atingir a Amazônia e o Centro-Sul, intensificando queimadas e pressionando reservatórios de água e energia.
A OMM alerta que o calor extremo de 2024 fez a demanda global de energia subir 4%, com aumento de até 30% em algumas regiões da África. O documento recomenda integrar dados climáticos à produção e à distribuição de energia renovável, a fim de fortalecer os sistemas diante das mudanças climáticas.
Mesmo com avanços tecnológicos, a ONU lembra que 40% da população mundial ainda não tem acesso a sistemas de alerta precoce contra tempestades, secas e inundações o que agrava os riscos humanitários e econômicos do aquecimento global.