Do Sertão para o mundo: Doces de agricultoras paraibanas serão expostos na COP30 em Belém
Associação de mulheres de Picuí (PB) leva geleias e bolos feitos com umbu e caju para a maior conferência climática do mundo
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Um grupo de nove mulheres agricultoras de Picuí, no árido Seridó da Paraíba, está preparando sua mais doce e significativa colheita: a oportunidade de expor seus produtos na 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), em Belém. Elas representam a Associação Mulheres da Quixaba, que transforma frutas nativas como umbu, caju e coco em doces, geleias e bolos, unindo tradição, empreendedorismo e resistência climática.
A presidente da associação, Damiana Morais, explica que o grupo conta com 25 associadas, sendo nove ativas na produção diária. "Onde pede, a gente entrega", afirma, destacando que as encomendas já alcançam estados como Bahia, Maranhão e Minas Gerais. A matéria-prima é totalmente colhida por elas mesmas, e a produção mensal gera cerca de R$ 30 mil, valor dividido de forma proporcional às horas trabalhadas por cada uma.
A história da associação nasceu da necessidade. Ednalva Dantas, fundadora do grupo, relembra que as escassas chuvas na região deixavam as mulheres ociosas. "As mulheres da Quixabá não tem muito o que fazer, porque as chuvas são poucas, as mulheres se limitam a ficar em casa, esperando pelos auxilios do Governo Federal, então, partindo daí, tivemos essa ideia, fundamos a associação e começamos a luta em buscar apoios", conta. A primeira capacitação foi buscada na Empaer (antiga Emater) para aprender a trabalhar com o umbu, fruto símbolo da resistência da Caatinga.

Foto: TV Paraíba
Para Adriana Mohamed, uma das produtoras, a associação representou uma transformação profunda. "Eu vivia em casa, no roçado, ajudando meu marido a cortar lenha. Quando eu passei a vir para cá, tudo melhorou", relata. O projeto vai além da geração de renda, promovendo autonomia e reconhecimento para a mulher do campo.
A participação na COP30 é um marco, mesmo que os produtos serão exibidos no painel do Pará, já que a Paraíba não terá um estande próprio. "Imagine só, as delícias da Quixabá na trigésima Conferência Mundial trabalhando sobre a questão climática. Nós estamos indo lá com um projeto de desenvolver o empreendedorismo da mulher rural", comemora Ednalva.
Ela finaliza com emoção: "Aqui, esse lugar foi construído a partir de sonhos. Sonhamos em ter um futuro melhor, sonhamos onde a mulher rural fosse inserida no mercado de trabalho".