31 de julho de 2025
BAHIA LIDERA

Estudo revela que 11 pessoas foram mortas por dia pela polícia em 9 estados em 2024

Pesquisa da Rede de Observatórios da Segurança mostra que pessoas negras têm 4,2 vezes mais chances de serem mortas pela polícia

Por Redação
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Em nove estados, polícias mataram 11 pessoas por dia em 2024 - Foto: Joédson Alves/Agencia Brasil

Um levantamento inédito da Rede de Observatórios da Segurança revela que em 2024, 11 pessoas foram mortas por dia pela polícia em nove estados brasileiros, totalizando 4.068 vítimas. Desse total, pelo menos 3.066 eram negras - representando 75% das mortes -, enquanto em mais de 500 registros a cor ou raça não foi informada. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (6) no boletim "Pele Alvo", mostram que pessoas negras têm 4,2 vezes mais chances de serem mortas pela polícia do que brancos.

A disparidade racial é evidente quando analisadas as taxas de mortalidade por 100 mil habitantes. Na Bahia, a polícia mata 11,5 negros para cada 100 mil habitantes, contra 2 brancos. No Pará, a taxa é de 8,1 para negros e 3,2 para brancos, enquanto no Rio de Janeiro são 5,9 negros mortos contra 1,3 branco. Em todos os estados analisados, a proporção de pessoas negras entre os mortos supera significativamente sua representação na população geral.

A pesquisa identificou que 57,1% das vítimas eram jovens entre 18 e 29 anos (2.324 pessoas), e 297 eram adolescentes de 12 a 17 anos - um aumento de 22,1% em relação a 2023. A pesquisadora Francine Ribeiro, da Rede de Observatórios, critica o modelo de segurança adotado: "As polícias têm seguido uma lógica parecida, de enfrentamento letal, com justificativa de combate ao tráfico. Quando os investimentos são retirados da prevenção, percebemos um desinteresse em resolver o problema na raiz".

O estudo destaca que a ADPF das Favelas, medida do STF que limitou operações policiais no Rio de Janeiro, contribuiu para reduzir em 61,2% as mortes por intervenção policial no estado entre 2019 e 2024. Entretanto, a pesquisadora alerta que a recente Operação Contenção, com mais de 100 mortos, indica que 2025 pode ser mais letal. Em São Paulo, a letalidade policial aumentou 93,8% em três anos, retrocedendo aos patamares de 2019 após mudanças no uso de câmeras corporais.

Entre as medidas propostas pelos pesquisadores estão: tornar obrigatório o uso de câmeras corporais em todas as operações; eliminar a rubrica "não informado" para raça/cor das vítimas; rever urgentemente o modelo de formação policial; instituir programas de saúde mental para policiais; e vincular repasses federais ao cumprimento de metas de redução da letalidade. "Repetir estratégias que já não deram certo e desestimular ações que deram certo é contraproducente e leva à insegurança contínua da população", conclui Ribeiro.