Três sinais no sangue podem revelar risco oculto de doenças do coração, aponta estudo
Análise de três biomarcadores sanguíneos pode prever infartos anos antes dos primeiros sintomas, segundo pesquisadores da American Heart Association
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Problemas cardíacos podem ter múltiplas origens — da herança genética ao estilo de vida sedentário —, mas um novo estudo indica que o risco pode ser identificado muito antes dos primeiros sintomas.
Pesquisadores apresentaram evidências de que exames de sangue pouco comuns na rotina médica podem antecipar o diagnóstico de doenças do coração e identificar pessoas com maior probabilidade de sofrer infarto.
De acordo com resultados preliminares divulgados pela American Heart Association, a análise combinada de três biomarcadores sanguíneos pode ajudar a prever o risco cardiovascular:
- Lipoproteína (a) [Lp(a)] – tipo de colesterol herdado geneticamente, que pode causar acúmulo de placas nas artérias;
- Colesterol residual – partículas de gordura nocivas que testes convencionais não costumam detectar, mas que também obstruem artérias;
- Proteína C reativa (hsCRP) – marcador de inflamação no corpo, associado a danos arteriais e maior risco cardíaco.
Os pesquisadores analisaram dados do UK Biobank, um dos maiores bancos de saúde do mundo, com informações de mais de 300 mil pessoas sem histórico de doenças cardíacas. O acompanhamento ocorreu por cerca de 15 anos.
Os resultados mostraram um padrão claro:
- Quem apresentou três biomarcadores elevados teve quase o triplo de risco de infarto;
- Com dois biomarcadores altos, o risco foi mais que o dobro;
- E com um marcador alterado, o aumento foi de aproximadamente 45%.
Segundo Richard Kazibwe, professor da Wake Forest University, os achados reforçam que a avaliação combinada desses indicadores oferece uma visão mais completa do risco cardiovascular.
“Ao integrar fatores genéticos, metabólicos e inflamatórios, podemos identificar precocemente pessoas em maior risco e orientar estratégias de prevenção mais personalizadas”, explica o pesquisador.
Kazibwe ressalta ainda que, mesmo em pacientes com colesterol e pressão arterial controlados, os exames podem revelar inflamações ocultas ou predisposições genéticas que escapam aos testes convencionais.