Saiba por que a Justiça proibiu o livro “Diário de Tremembé”, que revela os bastidores do presídio dos famosos
Obra escrita por ex-prefeito preso foi vetada por decisão judicial que apontou violação de privacidade, uso indevido de imagem e risco à segurança interna
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O livro “Diário de Tremembé – O Presídio dos Famosos”, escrito pelo ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos (SP) Acir Filló, foi banido pela Justiça de São Paulo em 2019, poucos meses após o lançamento. A decisão, assinada pela juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, atendeu a um pedido do Ministério Público, que alegou que a obra violava a privacidade de presos, fazia uso indevido de imagens e colocava em risco a segurança dentro da penitenciária.
Publicado em 2018, o livro prometia revelar os bastidores da Penitenciária II de Tremembé, unidade que abriga alguns dos detentos mais conhecidos do país, como Alexandre Nardoni, Christian Cravinhos e Roger Abdelmassih. Cumprindo pena por lavagem de dinheiro, Filló narrou no livro episódios e conversas com presos famosos, em um relato que mesclava bastidores e histórias de dentro das celas.
Na decisão, a magistrada classificou o conteúdo como “bisbilhotice” e “especulação da vida alheia com fins lucrativos”, afirmando que o autor distorceu relatos e se aproveitou da confiança de outros detentos para produzir uma obra de “cunho sensacionalista”. Segundo a juíza, apenas três dos presos citados autorizaram o uso de seus nomes, e dois deles disseram que as informações foram deturpadas.
A Justiça também determinou multa para quem comercializasse o livro e ordenou a transferência de Filló para outra unidade prisional, após relatos de que a publicação havia gerado tensão entre os internos.
O autor, por sua vez, afirma ter sido vítima de censura. Em entrevista ao O Globo, Filló declarou que o livro “mexeu com pessoas poderosas” e que a obra tinha como objetivo denunciar desigualdades e privilégios dentro do sistema prisional. Mesmo proibido, o “Diário de Tremembé” passou a circular de forma restrita e hoje é vendido de maneira informal, com exemplares usados chegando a custar até R$ 500.