Polícia investiga envio de traficantes do Comando Vermelho à guerra da Ucrânia
Facção estaria promovendo “intercâmbio do crime” para aprender técnicas de combate e aplicá-las contra forças de segurança no Brasil
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga um esquema inédito envolvendo o Comando Vermelho (CV). De acordo com a Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), integrantes da facção estão sendo enviados à Europa, e até mesmo à guerra da Ucrânia, para receber treinamento militar e aprender novas estratégias de enfrentamento à polícia brasileira.
As apurações indicam que o grupo criminoso estaria promovendo uma espécie de “intercâmbio do crime”, com o objetivo de incorporar táticas de guerra e técnicas de guerrilha às ações em comunidades do Rio.
Um dos principais alvos da investigação é Philippe Marques Pinto, de 29 anos, apontado como ligado a Antônio Hilário Ferreira, o Rabicó — uma das lideranças do CV e chefe do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Philippe teria viajado à Ucrânia três vezes nos últimos dois anos, sempre fazendo escala por Lisboa, e ainda estaria no país do leste europeu.
Em vídeo obtido pela polícia, ele aparece empunhando um fuzil AK-47 e enviando saudações a comparsas no Rio. “É o CV puro e sem mistura. Um forte abraço para o meu mano Cafu, eterno dono da favela da Central”, afirma o criminoso, antes de manusear a arma e garantir que se trata de “um fuzil de verdade”.
A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) instaurou inquérito para investigar o caso. Além de tráfico de drogas, Philippe poderá responder por apologia e associação ao tráfico. As autoridades consideram o episódio um alerta para a crescente internacionalização das atividades do Comando Vermelho e o risco de que técnicas de combate aprendidas em zonas de guerra sejam trazidas de volta ao Brasil.