31 de julho de 2025
Infância protegida

Unicef apresenta plano para reduzir violência e vulnerabilidade em periferias urbanas

Iniciativa será aplicada em oito capitais e busca fortalecer políticas locais voltadas à educação, saúde e segurança de crianças e adolescentes

Por Redação
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As ações são moldadas de acordo com a realidade de cada cidade, mas envolvem troca de experiências entre as participantes - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou uma nova edição da Agenda Cidade Unicef, voltada à proteção de crianças e adolescentes que vivem em favelas, periferias e outros territórios vulneráveis de oito capitais brasileiras: Belém, Fortaleza, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo.

Entre 2021 e 2023, mais de 2,2 mil crianças e adolescentes dessas cidades foram vítimas de mortes violentas, e cerca de 14,2 mil sofreram violência sexual, segundo dados do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

De acordo com o chefe de governança do Unicef no Brasil e coordenador da agenda, Paulo Moraes, o programa busca fortalecer a atuação municipal por meio de formação técnica, aprimoramento institucional e criação de instrumentos administrativos, como decretos e portarias. 

“O objetivo é apoiar os municípios na prevenção primária. Quando uma criança tem acesso à escola, saúde e espaços de convivência, ela está mais protegida de situações de violência”, explicou Moraes.

As ações são moldadas de acordo com a realidade de cada cidade, mas envolvem troca de experiências entre as participantes. As atividades estão estruturadas em cinco eixos: educação de qualidade, inclusão produtiva, serviços de proteção, saúde integral e bem-estar, e voz ativa de crianças e adolescentes.

Um dos focos é aperfeiçoar a notificação de casos de violência pelos profissionais da saúde e promover cultura de paz nas escolas. O Unicef também alerta para o impacto das operações policiais em áreas periféricas, especialmente no Rio de Janeiro, que afetam o aprendizado e a saúde mental de crianças e jovens. 

“Essas operações não têm solucionado a violência armada e, ao contrário, trazem prejuízos enormes para quem vive nessas comunidades”, afirmou Moraes.

O projeto também prevê articulação com o sistema de Justiça e segurança pública — incluindo Ministério Público, Defensoria e polícias — para garantir ações integradas de proteção à infância.