Câncer de mama em mulheres negras: diagnóstico tardio e subtipo agressivo ampliam desigualdade
Triplo negativo, mais comum entre negras, exige terapias específicas nem sempre disponíveis no SUS; racismo e estresse crônico também impactam na progressão da doença
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O câncer de mama, tipo mais comum entre as mulheres no Brasil, apresenta profundas disparidades quando analisado pelo recorte racial. Mulheres negras são diagnosticadas com maior frequência em estágios avançados da doença, o que reduz significativamente as chances de cura e aumenta a mortalidade. Apesar de representarem a maioria das usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), elas enfrentam barreiras no acesso a exames preventivos e tratamentos especializados, o que contribui para a detecção tardia e para o desenvolvimento de tumores mais agressivos.
Entre a população negra, é mais frequente a ocorrência do câncer de mama triplo negativo, um subtipo de rápida evolução que não responde aos receptores hormonais tradicionalmente utilizados no tratamento. De acordo com a oncologista Alessandra Leite, coordenadora do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia Gama (DF, as medicações mais modernas para esse tipo de tumor ainda não estão disponíveis no SUS, o que limita as opções terapêuticas e contribui para piores desfechos.
Além das barreiras no acesso à saúde, o racismo e a discriminação exercem impacto direto na saúde física. O estresse contínuo provocado por situações de preconceito eleva os níveis de cortisol, altera a qualidade do sono e enfraquece o sistema imunológico — fenômeno conhecido como carga alostática. Segundo a psicóloga Larissa Lopes, de Londrina (PR, a exposição prolongada à discriminação faz com que o corpo permaneça em constante estado de alerta, dificultando a recuperação e interferindo na resposta aos tratamentos.
Para reverter esse cenário, especialistas defendem a criação de campanhas de conscientização que alertem para os riscos específicos enfrentados por mulheres negras, além da ampliação da representatividade desse grupo em pesquisas clínicas. Ambientes de saúde acolhedores e culturalmente sensíveis também são essenciais para construir confiança e garantir que todas as pacientes tenham acesso a diagnósticos precoces e tratamentos adequados.