31 de julho de 2025
fenômeno

Cidade sofre com "invasão" de gambás e bombeiros registram pico de resgates

Especialistas explicam que período reprodutivo e expansão urbana têm levado animais a buscar abrigo em residências

Por Redação
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Número de resgate de gambás cresceu 172% entre 2024 e 2025 na cidade de Joinville - Foto: Divulgação/UPF

Joinville vive um crescimento significativo no aparecimento de gambás em áreas urbanas, com um aumento de 172% nos resgates desses animais entre 2024 e 2025, segundo dados do Corpo de Bombeiros Voluntários. O fenômeno tornou-se mais evidente entre setembro e outubro deste ano, período que marca o início da reprodução da espécie.

Os números revelam uma mudança drástica no comportamento desses marsupiais. Enquanto em outubro de 2024 foram registradas 40 ocorrências envolvendo gambás, apenas até o dia 30 de outubro de 2025 já foram contabilizados 184 resgates - número que supera todo o volume de acionamentos do ano anterior.

De acordo com o biólogo Sidimar da Silva Angelica, do Herbário Joinvillea e Jardim Botânico da Univille, o período reprodutivo é o principal fator para o aumento na aparição dos animais a partir de setembro. "As fêmeas procuram locais propícios para fazer seus ninhos, geralmente ambientes secos, escuros e quentes", explica o especialista.

A expansão urbana emerge como outra causa fundamental para esse fenômeno. O biólogo destaca que o avanço da urbanização tem contribuído para a perda do habitat natural dos gambás. "O crescimento populacional e o desmatamento para a construção civil reduzem as áreas verdes disponíveis, principalmente em cidades grandes como Joinville. Com isso, esses animais acabam buscando abrigo nas residências", complementa Sidimar.

O biólogo Alcio Schlickmann acrescenta que os gambás são classificados como espécies "periantrópicas", meaning que se beneficiam da convivência com humanos. "Apesar de os vermos raramente, eles estão convivendo conosco o tempo todo, seja buscando recurso nas nossas latas de lixo e até mesmo afastando animais mais perigosos do ambiente urbano", finaliza Schlickmann, destacando o papel ecológico desses animais no controle de pragas urbanas.