31 de julho de 2025
RIO DE JANEIRO

Governadores lançam "Consórcio da Paz" para enfrentar crime organizado após operação no Rio

Liderados por Cláudio Castro, sete estados firmam pacto de integração em inteligência e ações policiais

Por Redação
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Medida ocorre depois de ação policial com mais de 120 mortes - Foto: Governo do RJ/Divulgação

Sete governadores anunciaram, nesta quinta-feira (30), a criação do "Consórcio da Paz", um pacto interestadual para combater o crime organizado por meio do compartilhamento de informações de inteligência, apoio financeiro e contingente policial. A iniciativa foi concretizada durante uma reunião no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, e surge como uma resposta à recente operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em pelo menos 121 mortos.

O consórcio é formado por governadores politicamente alinhados: Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Romeu Zema (Minas Gerais), Jorginho Mello (Santa Catarina), Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul), Ronaldo Caiado (Goiás), a vice-governadora Celina Leão (Distrito Federal) e Tarcísio de Freitas (São Paulo), que participou por videoconferência. Apesar do grupo inicial, a intenção declarada é incluir todos os 27 estados da Federação. O Rio de Janeiro será a sede inicial e coordenará a formalização do grupo.

De acordo com os líderes, o objetivo é uma cooperação prática e sem "politização". "Faremos um consórcio entre estados no modelo de outros consórcios que existem para que nós possamos dividir as experiências, soluções e ações do combate ao crime organizado", afirmou Cláudio Castro. Jorginho Mello, de Santa Catarina, complementou: "Vamos perseguir o objetivo de integrar as 27 unidades da Federação, para que a gente troque experiência, empréstimos e material humano [...] e comprar equipamentos de forma consorciada".

O anúncio foi marcado por críticas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, enviada pelo governo federal. Os governadores argumentam que a proposta, que visa dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e estabelecer diretrizes nacionais, fere a autonomia dos estados. "Único objetivo do governo federal é tirar dos governadores as diretrizes gerais da segurança pública [...] Querem transferir nossa autonomia e transformar em diretriz geral do Ministério da Justiça. É intervenção direta nas polícias dos estados", declarou Ronaldo Caiado.

O contexto do anúncio é a operação policial no Rio, amplamente elogiada pelos participantes. Romeu Zema, governador de Minas Gerais, classificou a ação como "a mais bem-sucedida" e que "vai fazer parte da história da segurança pública no Brasil". A operação, no entanto, é alvo de críticas de especialistas e organizações da sociedade civil, que apontam sua alta letalidade, supostas execuções e a incapacidade de atacar as raízes estruturais do crime organizado. O alvo principal, o chefe do tráfico conhecido como "Doca", não foi capturado.

Paralelamente ao consórcio estadual, foi anunciada na quarta-feira (29) a criação de um escritório emergencial em conjunto com o governo federal, representado pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. A medida inclui o aumento do efetivo da Polícia Rodoviária Federal e o envio de agentes de inteligência e peritos, indicando uma tentativa de coordenação em outra frente, mesmo em meio às discordâncias sobre a PEC.