Mortes por vírus da bronquiolite crescem mais de 60% no Brasil em um ano
Alta é atribuída a inverno prolongado e baixa temperatura; Ministério da Saúde prevê início da vacinação para gestantes em novembro
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Os casos e as mortes provocadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR), principal agente causador da bronquiolite, aumentaram mais de 60% no Brasil em 2025. Dados do Ministério da Saúde apontam crescimento de 61,4% nas infecções e 64,6% nos óbitos entre janeiro e 20 de outubro, em comparação ao mesmo período de 2024.
Especialistas associam a alta à prolongação do inverno e às temperaturas mais baixas deste ano. “As condições atuais favorecem a disseminação dos vírus respiratórios. A temperatura reduzida diminui a defesa natural do pulmão e aumenta o contágio”, explica o pediatra e infectologista Marcelo Otsuka, das Sociedades Brasileiras de Pediatria e Infectologia.
O VSR provoca infecções respiratórias agudas, especialmente em crianças com menos de dois anos. Em 2025, das 42.450 infecções registradas, 34.988 ocorreram em menores de dois anos e 3.620 em crianças de até quatro anos. No ano passado, foram 26.285 casos no mesmo período.
O estado de São Paulo acompanha a tendência nacional, com alta de 60% nos casos e 59,2% nas mortes entre janeiro e outubro.
No país, estima-se que 20 mil bebês com menos de um ano sejam internados anualmente por complicações da doença.
O Ministério da Saúde informou que a vacina contra o VSR começará a ser oferecida pelo SUS na segunda quinzena de novembro, inicialmente para gestantes a partir da 28ª semana de gestação. A imunização, feita em dose única, deve garantir proteção aos recém-nascidos nos primeiros meses de vida.
Além disso, o anticorpo monoclonal nirsevimabe, indicado para prematuros e crianças com comorbidades, será incorporado ao sistema público. A previsão é que o medicamento esteja disponível nas maternidades a partir de fevereiro de 2026.
A principal forma de evitar o contágio é reduzir o contato de crianças pequenas com pessoas gripadas. “Se há sintomas respiratórios, não se deve ter contato com bebês, idosos ou gestantes”, reforça Otsuka. O médico também recomenda lavar as mãos, usar máscara e evitar beijos em crianças em caso de sintomas gripais.
O VSR também pode causar pneumonias e quadros graves em idosos, aumentando o risco de complicações cardiovasculares, como infarto e AVC.
O número de casos de gripe no Brasil cresceu 79,7% e as mortes quase dobraram (99,1%) em 2025, reflexo do mesmo cenário de temperaturas baixas e baixa cobertura vacinal.
A meta de vacinação contra a gripe é de 90%, mas até outubro a média nacional ficou em 50,5%, segundo o Ministério da Saúde. No estado de São Paulo, a taxa é de 51,6%.
De acordo com o infectologista Evaldo Stanislau de Araújo, do Hospital das Clínicas de São Paulo, o país precisa de vacinas mais precisas, já que diferentes regiões podem ter cepas distintas do vírus influenza.
O SUS também oferece vacinas pneumocócicas para prevenir pneumonias e outras infecções bacterianas em idosos e pessoas com doenças crônicas.