31 de julho de 2025
RIO DE JANEIRO

Familiares enfrentam drama por reconhecimento de corpos após operação que deixou mais de 130 mortos no Rio

Além dos 64 óbitos oficiais, mais 70 corpos com sinais de execução foram resgatados de mata no Complexo da Penha

Por Redação
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Dezenas de corpos são reunidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Familiares das vítimas da Operação Contenção enfrentam um drama duplo nesta quarta-feira (29) no Rio de Janeiro: além do luto, o difícil processo de reconhecimento de corpos no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RJ), anexo ao IML do centro da cidade. Enquanto o governo estadual confirmou 64 mortes no balanço oficial, pelo menos 70 corpos adicionais - muitos com sinais de execução, como tiros na testa e decapitação - foram resgatados durante a madrugada de áreas de mata no Complexo da Penha e levados para o instituto.

Os relatos dos parentes revelam a dimensão humana da tragédia. Um familiar que preferiu não se identificar desabafou: "Eles largaram o corpo lá, pelado. Nem animal se trata assim, não importa o que a pessoa fez". Carol Malícia, de 24 anos, veio de Arraial do Cabo para reconhecer o pai de sua filha de 1 ano e 3 meses. Ela contou que mantinha contato com Vitor até terça-feira, quando ele disse estar "encurralado" e não saber se iria "suportar por muito tempo", relatando ainda "muitas pessoas atingidas por bala" ao seu redor.

A operação, considerada a mais letal da história do Rio, foi realizada contra a facção Comando Vermelho nos complexos da Penha e Alemão. Os corpos resgatados adicionalmente foram inicialmente concentrados na Praça São Lucas por moradores antes do encaminhamento ao IML. Não há previsão para a liberação dos corpos, deixando os familiares em uma angustiante espera por respostas e pela possibilidade de dar um enterro digno a seus entes queridos.