Número de mortos em operação no RJ supera 130 após moradores levarem 74 corpos para praça no Complexo da Penha
Governo confirmou oficialmente 58 mortos, mas corpos levados por moradores à Praça São Lucas não estavam contabilizados
Publicado em
O número de mortos na megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão pode ultrapassar 130 pessoas, após moradores do Complexo da Penha terem levado pelo menos 74 corpos para a Praça São Lucas durante a madrugada desta quarta-feira (29). Os corpos, todos de homens, foram retirados da área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os principais confrontos, e inicialmente não estavam incluídos no balanço oficial do governo, que confirmou 58 mortos - 54 "criminosos" e 4 policiais.
Enquanto o governador Cláudio Castro (PL-RJ) classificou a ação como um "sucesso" e afirmou que apenas os quatro policiais mortos são "vítimas", os moradores organizaram um doloroso processo de reconhecimento na praça. Deixaram os corpos sem camisa para facilitar a identificação por familiares através de tatuagens, cicatrizes e marcas de nascença. O ativista Raull Santiago, que participou da retirada, declarou: "Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido com o que estou vendo hoje".
A Polícia Civil informou que o reconhecimento oficial está sendo realizado em um prédio do Detran próximo ao IML do Centro do Rio. Simultaneamente, moradores transportaram outros seis corpos em uma Kombi para o Hospital Estadual Getúlio Vargas. O secretário da PM afirmou que será realizada perícia para verificar se há relação entre essas mortes e a operação, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro.