31 de julho de 2025
PERNAMBUCO

Esquema de desvio de emendas parlamentares investigado em Ipojuca envolve mais de R$ 11 milhões e associações de fachada

Polícia Civil e MP apuram destino de recursos públicos destinados à saúde que beneficiaram entidades em outras cidades

Por Redação
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Câmara de Vereadores de Ipojuca. - Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco investigam um esquema de desvio de emendas parlamentares impositivas da Câmara Municipal de Ipojuca, cidade do Grande Recife. Segundo o inquérito, recursos públicos destinados à saúde no município foram desviados para associações de fachada localizadas em outras cidades, sem estrutura para executar os projetos contratados.

As investigações concentram-se em duas entidades principais:

  • Instituto de Gestão de Políticas do Nordeste (IGPN): recebeu mais de R$ 6 milhões em menos de um ano, sediado inicialmente em Barreiros e depois transferido para Catende (a 100 km de Ipojuca)
  • Associação de Skate de Pernambuco: localizada em Paulista (a 75 km de Ipojuca), iria receber R$ 5 milhões antes da intervenção policial

O esquema era articulado por Geraílton Almeida da Silva, considerado o principal organizador. Segundo o delegado Ney Luiz Rodrigues, "ele cedeu o local que pertencia a ele, em Barreiros, e ficava em frente à sua loja de material de construção. Pegou seus funcionários e colocou como presidente e vice do instituto".

Três pessoas ligadas ao IGPN estão com prisão preventiva decretada e foragidas:

  • Geraílton Almeida da Silva (articulador)
  • Júlio César de Almeida Souza (primo de Geraílton)
  • José Gibson Francisco da Silva (presidente do instituto)

Outras três pessoas já foram presas: Maria Netania Vieira Dias (esposa de Gilberto Claudino, outro suspeito foragido), Edjane Silva Monteiro e Eva Lúcia Monteiro (advogadas que atuavam como elo entre as associações).

Em nota, a Câmara de Ipojuca atribuiu o erro à "falha de funcionário do setor" que teria enviado o CNPJ errado da Associação de Skate. A Casa informou que adotará novas medidas de controle, incluindo a capacitação obrigatória para membros das entidades, curso específico na Escola Legislativa e recomendações para aferir capacidade das instituições beneficiadas.

As defesas contestam as acusações. O advogado das irmãs Monteiro argumenta que "foram presas no exercício da profissão" e que a prisão é "injusta e descabida". Já a defesa de José Gibson e Júlio Cesar afirma que há "graves omissões na investigação" e que seus clientes "são inocentes".