Chiclete de feijão bloqueia vírus da gripe e herpes e reduz carga viral em até 95%
Proteína natural do feijão Lablab purpureus bloqueia vírus na boca e garganta; estudo aponta redução de até 95% da carga viral em testes laboratoriais
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Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia desenvolveram um chiclete terapêutico contendo feijão lablab, que apresentou eficácia em reduzir em até 95% a carga viral de determinados tipos de gripe e herpes. O estudo, publicado na revista Molecular Therapy, destaca a proteína FRIL presente na leguminosa como responsável pelo efeito antiviral, impedindo que os vírus infectem células humanas.
O feijão lablab, conhecido no Brasil por nomes como orelha-de-turco, feijão-de-pedra e ervilha-de-pobre, produz naturalmente a proteína FRIL, uma lectina que se liga a açúcares específicos na superfície de certos vírus. Essa interação bloqueia a conexão dos vírus com as células humanas, atuando principalmente em patógenos transmitidos via boca, como os vírus da gripe A (H1N1 e H3N2) e o herpes simplex (HSV-1 e HSV-2).
A ideia de transformar a proteína em goma de mascar terapêutica surgiu em 2021, quando a equipe liderada por Henry Daniell buscava soluções de baixo custo para conter a disseminação do SARS-CoV-2. Com resultados promissores, o estudo expandiu o foco para outros vírus.
“Essas observações são um bom sinal para avaliar a goma de feijão em estudos clínicos em humanos, a fim de minimizar a infecção/transmissão do vírus”, afirmou Daniell.
Testes em simuladores de mastigação indicaram que a FRIL é liberada de maneira eficaz em cerca de 15 minutos, permanecendo ativa mesmo após contato com as enzimas da saliva. Apenas 40 mg da proteína foram suficientes para reduzir significativamente a carga viral, sem evidências de toxicidade ou efeitos adversos.
Aplicação contra gripe aviária
Atualmente, os pesquisadores investigam o uso do pó de feijão lablab para reduzir a propagação da gripe aviária (H5N1) em aves, doença que afetou 54 milhões de aves na América do Norte em poucos meses. Estudos anteriores já demonstraram que a FRIL neutraliza as cepas H5N1 e H7N9, com potencial para impedir surtos tanto em aves quanto em humanos.
A proposta é incluir o pó de feijão na ração das aves, bloqueando a disseminação viral em granjas e reduzindo o risco de transmissão para pessoas. Daniell destaca que “uma proteína antiviral de amplo espectro (FRIL) presente em um produto alimentício natural para neutralizar não apenas os vírus da gripe humana, mas também da gripe aviária é uma inovação oportuna para prevenir infecção e transmissão.”
Se validada em testes clínicos, a goma de feijão pode se tornar uma alternativa preventiva acessível e sustentável, diminuindo a dependência de antivirais convencionais e ajudando a conter possíveis surtos antes que se tornem epidemias ou pandemias.
*Com informações da CNN Brasil