Alckmin classifica reunião Lula-Trump como "passo mais importante" para reaproximação Brasil-EUA
Vice-presidente afirma que encontro na Malásia destravou negociações e que prioridade imediata é suspensão de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros
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O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, definiu a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano, Donald Trump, como o "passo mais importante" na reaproximação entre Brasil e Estados Unidos. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (27), Alckmin afirmou que o encontro em Kuala Lumpur abriu caminho para destravar negociações comerciais bilaterais.
Alckmin reafirmou que a principal urgência do governo brasileiro é a retirada da sobretaxa de 40% aplicada pelos EUA a produtos nacionais, que soma-se a tarifas de 10% impostas em abril. "Essas tarifas são totalmente desproporcionais. A tarifa média do Brasil para os Estados Unidos é de apenas 2,7%", comparou.
Segundo dados do MDIC, aproximadamente 34% dos US$ 40 bilhões exportados pelo Brasil aos EUA no último ano foram impactados pelas medidas. O governo trabalha em duas frentes:
- Pedir suspensão temporária das tarifas durante as negociações
- Ampliar a lista de produtos isentos, incluindo o café (atualmente taxado em até 50%)
O vice-presidente destacou que o apoio de empresas americanas será decisivo para reverter as tarifas. "O setor privado americano tem grande interesse [em exportar para o Brasil]. É importante a participação do setor privado. Ela ajuda muito na solução do problema".
Alckmin coordena as negociações com Washington ao lado dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Fernando Haddad (Fazenda). A expectativa é que equipes técnicas dos dois países se reúnam nas próximas semanas.
Além da pauta comercial, Alckmin citou discussões sobre:
- Instalação de datacenters no Brasil
- Atração de investimentos em energia renovável
- Aprovação da MP dos Datacenters, editada em setembro
"O Brasil tem abundância de fontes limpas e renováveis", destacou, enfatizando a vantagem competitiva brasileira no setor energético.
O vice-presidente encerrou classificando o gesto entre Lula e Trump como "um marco político que reposiciona o Brasil no cenário internacional". A declaração contrasta com a cautela manifestada por Trump, que após o encontro disse: "Não sei se alguma coisa vai acontecer, mas veremos".
O encontro em Kuala Lumpur representa o primeiro diálogo direto entre os dois líderes desde o retorno de Trump à Casa Branca e estabelece as bases para uma nova fase nas relações bilaterais, com foco inicial na resolução do impasse tarifário que afeta significativamente as exportações brasileiras.