Paraíba registra 24 feminicídios em 2025, com casos espalhados por todo o estado
Pesquisadora aponta cultura machista e discursos de ódio como fatores para números elevados; lei que tipificou o crime é vista como avanço, mas educação é apontada como caminho para redução
Publicado em
A Paraíba registrou 24 casos de feminicídio nos primeiros nove meses de 2025, superando o total de todo o primeiro semestre e mantendo uma média alarmante de dois assassinatos de mulheres motivados pela condição de gênero por mês. Os dados, compilados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, mostram que os crimes estão distribuídos por diversas regiões, incluindo Cajazeiras, Campina Grande, João Pessoa, Patos e Santa Rita, entre outras 18 cidades.
Os meses com maior incidência foram fevereiro, com seis registros, e janeiro, março, maio, junho e setembro, com três casos cada. Julho foi o único mês sem registros. Para a pesquisadora de gênero Glória Rabay, a persistência de números elevados está diretamente ligada a fatores culturais.
"Existem muitos fatores que explicam a violência contra as mulheres, fatores culturais, do machismo, e a gente tem visto um crescimento de práticas misóginas nos últimos anos, com o avanço da direita no Brasil", analisa Rabay, destacando a proliferação de discursos de ódio contra as mulheres nas redes sociais como um agravante contemporâneo.
A pesquisadora ressalta que, embora as mulheres negras, pobres e periféricas sejam as principais vítimas, o feminicídio é um fenômeno que atravessa todas as classes sociais. "A cultura machista está disseminada por toda a sociedade, não está apenas em um determinado núcleo. Isso explica porque os casos de feminicídio estão espalhados em todo o território", detalha.
O feminicídio foi incorporado à legislação brasileira como crime hediondo pela Lei nº 13.104/2015. Em 2024, a Lei 14.994 tornou-o um crime autônomo, com penas que podem chegar a 40 anos de prisão. Para Glória Rabay, a tipificação foi um avanço crucial para dar visibilidade ao problema.
"O feminicídio não é um fenômeno recente... quando a gente dá o nome certo, isso ressalta, isso aparece com mais força", afirma. No entanto, ela é enfática ao apontar a educação como a solução fundamental: "Eu acho que o único caminho para diminuir o feminicídio é o processo educativo". Esse processo, segundo ela, deve envolver toda a sociedade – escolas, mídia, igrejas, famílias e empresas – no combate às práticas misóginas que alimentam o machismo e, consequentemente, o feminicídio.
Em 2024, a Paraíba registrou 25 feminicídios, o que representou uma queda de 26,47% em relação a 2023 (34 casos). A maioria desses crimes no ano anterior foi cometida por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, utilizando arma de fogo.
Como Denunciar
Para combater a violência de gênero, denúncias podem ser feitas pelos canais:
- 190 (Polícia Militar - emergências)
- 180 (Central de Atendimento à Mulher)
- 197 (Disque Denúncia da Polícia Civil)