31 de julho de 2025
MUNDO

Em discurso na Malásia, Lula condena "genocídio em Gaza" e defende Estado palestino

Presidente recebeu título de doutor honoris causa e criticou a inércia internacional, a estrutura financeira global e as tarifas comerciais como "mecanismos de coerção"

Por Redação
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Na Malásia, presidente defende justiça social e Sul Global - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Durante a cerimônia de recebimento do título de doutor "Honoris Causa" pela Universidade Nacional da Malásia, neste sábado (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou veementemente a continuidade da guerra em Gaza e a resistência mundial em reconhecer o Estado palestino. Em seu discurso, Lula elogiou as comunidades universitárias que levantam suas vozes "contra a brutalidade do genocídio em Gaza e contra a inércia moral" sobre a questão palestina, destacando que são os jovens que frequentemente relembram o valor da paz.

O presidente também abordou questões econômicas globais, criticando o aumento de tarifas comerciais como mecanismos de coerção internacional – uma referência indireta aos recentes aumentos impostos pelo governo dos EUA sob Donald Trump. Lula defendeu que nações não se intimidarão com tais ameaças e aproveitou o discurso para fazer duras críticas às instituições financeiras e de governança global, que, segundo ele, perpetuam desigualdades.

Lula defendeu uma reforma profunda nos organismos internacionais, começando pelas Nações Unidas. Ele argumentou que, sem uma maior representatividade, o Conselho de Segurança permanecerá "inoperante". No campo econômico, apontou como inaceitável que países ricos tenham nove vezes mais poder de voto no FMI do que as nações do Sul Global. O presidente ainda condenou o protecionismo e a paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC), que criam uma assimetria insustentável para as economias em desenvolvimento.

"A defesa de uma ordem baseada no diálogo, na diplomacia e na igualdade soberana das nações está no cerne da proposta brasileira de reforma das Nações Unidas, que sem maior representatividade o Conselho de Segurança seguirá inoperante e incapaz de responder aos desafios do nosso tempo."

A agenda do presidente na Malásia inclui um encontro com empresários do bloco ASEAN e uma reunião bilateral marcada para este domingo (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, onde buscará uma solução para o conflito tarifário que afeta as exportações brasileiras.