MP-SP defende agência nacional anti-máfia e alerta para infiltração do PCC no poder
Em coletiva sobre a Operação Recon, promotor Lincoln Gakiya e o Procurador-Geral de SP detalharam plano do crime para monitorar e atacar autoridades
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O promotor Lincoln Gakiya e o Procurador-Geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, defenderam publicamente a criação de uma agência nacional anti-máfia para coordenar esforços no combate ao crime organizado. A proposta, que integraria polícias, Receita Federal e Coaf, foi apresentada como uma necessidade urgente para o país. As autoridades também apoiaram o endurecimento da legislação, leis que acelerem a expropriação de bens de criminosos e uma estrutura mais eficaz de proteção a testemunhas, policiais e autoridades.
A coletiva marcou a posição do Ministério Público Estadual (MP-SP) após a divulgação da Operação Recon, que desarticulou uma célula do PCC que planejava ataques. Gakiya, um dos principais promotores no combate à facção, foi alvo direto do esquema. Ele afirmou que o PCC é a primeira máfia genuinamente brasileira, devido ao seu "patamar insustentável" de infiltração no poder político, em negócios lícitos e no sistema financeiro. "Eles usam estratégias de controle de território e de intimidação de autoridades", explicou o promotor.
O Procurador-Geral Paulo Sérgio reforçou a necessidade de uma resposta estatal unificada e mais organizada que o próprio crime. "A maneira de se começar a sair disso é endurecer a legislação e dizer claramente à sociedade que temos condições de ser mais organizados que o crime", declarou, defendendo que os Poderes se unam, superando divergências político-ideológicas em prol da proteção de vidas.
A Operação Recon cumpriu 25 mandados de busca nas cidades de Presidente Prudente, Álvares Machado, Martinópolis e outras da região oeste paulista. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), dois homens foram presos em flagrante por tráfico de drogas em Presidente Prudente, onde o grupo havia alugado uma casa a cerca de um quilômetro da residência do promotor Lincoln Gakiya.
As apreensões incluíram mais de 4,3 quilos de drogas, quatro veículos, um simulacro de arma, 30 munições calibre .380 e R$ 7,6 mil em espécie. Equipamentos eletrônicos e anotações foram recolhidos para as investigações. Segundo o MP-SP, os criminosos haviam identificado, monitorado e mapeado os hábitos diários de autoridades em um "plano meticuloso e audacioso". Gakiya revelou que sua casa chegou a ser sobrevoada por drones há três semanas.
A investigação apurou que a célula operava com um rígido esquema de compartimentação, onde cada integrante cumpria uma função específica sem conhecer a integralidade do plano. A sofisticação do grupo incluía uma divisão entre informantes e um grupo de elite denominado "sintonia restrita", responsável por executar atentados e resgates. Membros deste mesmo grupo estão ligados ao assassinato de agentes penitenciários no Paraná, aos planos de ataque contra o senador Sergio Moro e são suspeitos de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz, em setembro.