31 de julho de 2025

Lula critica falta de liderança global anuncia nova fase com a Malásia

Em visita histórica ao país asiático, presidente brasileiro defendeu a criação de instrumentos de governança global e condenou conflitos na Ucrânia e em Gaza

Por Redação
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Problema do mundo é ausência de lideranças, diz Lula na Malásia - Foto: Ricardo Stuckert / PR

Em pronunciamento durante a madrugada deste sábado (25), em Kuala Lumpur, na Malásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apontou a falta de lideranças internacionais como um dos maiores problemas do mundo atual, responsável por permitir a continuidade de guerras e da fome. “Na ausência de lideranças, tudo que é de pior pode acontecer”, avaliou o chefe de estado brasileiro.

Lula fez fortes críticas aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, que voltou a classificar como um genocídio contra o povo palestino. Ele argumentou que essas guerras, assim como os desastres ambientais, ocorrem devido à falência dos instrumentos de governança global. “Hoje, o Conselho de Segurança da ONU e a ONU não funcionam mais. Todas as guerras nos últimos tempos foram determinadas por gente que faz parte do Conselho de Segurança da ONU”, lamentou, questionando a complacência internacional com a duração dessas crises.

O presidente também condenou o uso da fome como arma de guerra, destacando que a violência vai além de tiros e bombas. “Mas a violência de utilizar fome, a vontade de comer de uma criança, como forma de tortura. Quando nós aceitamos isso como normal, nós não estamos sendo seres humanos”, criticou, atribuindo essa situação ao colapso das instituições multilaterais.

Na área ambiental, Lula atacou a falta de responsabilidade dos países e afirmou que a COP30, que será realizada em Belém, no Pará, deve ser “a COP da verdade”. Ele defendeu que os líderes políticos precisam assumir a responsabilidade de criar os instrumentos de governança global necessários para proteger o planeta.

Além dos temas globais, a visita marcou uma nova era na relação bilateral com a Malásia, com um fluxo comercial que gira em torno de US$ 5,8 bilhões anuais. Lula destacou que a parceria excede o interesse comercial e inclui acordos de cooperação em ciência e tecnologia. “A relação do Brasil com a Malásia muda de patamar a partir de hoje. Eu não vim aqui apenas com o interesse de vender ou com o interesse de comprar. Nós temos possibilidade de mudar o mundo”, declarou.

O presidente defendeu que o humanismo não deve ser derrotado pelos algoritmos e que o mundo precisa de paz e livre comércio, e não de guerra e protecionismo. "Quero dizer ao mundo que precisamos de mais comida e menos armas. Esse é o objetivo da minha visita à Malásia", afirmou. Lula também reafirmou o papel do Estado no auxílio aos mais pobres, descrevendo que “cuidar das pessoas mais humildes é quase uma missão bíblica”.

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, cumprimentou o presidente brasileiro, que receberá o título de doutor honoris causa pela Universidade Nacional da Malásia. Ibrahim destacou o papel de liderança de Lula e a certeza de que os dois países trabalharão juntos como parceiros em diversas áreas.