Ministério Público de São Paulo denuncia deputado Lucas Bove por descumprir medidas protetivas e intimidação contra ex-esposa
MP relata que parlamentar fumava maconha na frente da ex-mulher, apontava arma como "brincadeira" e a constrangia na presença de amigas
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O deputado federal Lucas Bove (PL) foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) na quinta-feira (23) por descumprir medidas protetivas impostas a favor de sua ex-esposa, a influenciadora digital e professora Cíntia Chagas. De acordo com a denúncia do MP, o parlamentar praticava atos de intimidação ostensiva, incluindo fumar maconha na frente da ex-mulher e apontar arma de fogo contra ela sob o pretexto de "brincadeira".
Segundo as investigações, em uma ocasião específica, Bove teria fumado maconha e apertado o mamilo de Cíntia na presença de uma amiga dela. O MP relata que o deputado ainda passou a mão debaixo da roupa da então esposa e disse para a amiga: "Olha o que eu faço com sua amiga". O órgão ministerial classificou a conduta como "claro desprezo" pelas restrições judiciais, que vêm sendo descumpridas há aproximadamente um ano.
Em 29 de setembro, Bove já havia sido indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de perseguição e violência psicológica. A defesa de Cíntia Chagas emitiu nota afirmando que a denúncia "representa um marco importante para as mulheres na busca pela verdade, pela responsabilização e pela dignidade da vítima". A advogada Gabriela Manssur reforçou que "não há espaço para o abuso, para a impunidade e para o uso do poder como instrumento de opressão".
Em resposta às acusações, Lucas Bove negou as versões apresentadas e criticou o que chamou de "militância feminista que alcançou o poder público". O deputado afirmou que a delegada da Delegacia da Mulher afastou as acusações de violência física e o indiciou apenas por violência psicológica, mesmo com laudo do IMESC atestando que não há dano psicológico na vítima. Bove também alegou que Cíntia estaria descumprindo segredo de justiça ao falar publicamente sobre o caso.
O parlamentar concluiu sua manifestação dizendo sentir "vergonha em nome das milhares de vítimas reais de violência" que, segundo ele, deixam de denunciar devido à descredibilização causada por "falsas denúncias". O caso segue em tramitação na Justiça, com o MP pleiteando a prisão preventiva do deputado.