Casos recentes de feminicídio evidenciam a letalidade da violência de gênero
Os crimes revelam um padrão preocupante de violência de gênero em Alagoas, onde rompimentos de relações abusivas, conflitos familiares e violência doméstica muitas vezes culminam em mortes
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Neste mês de outubro Alagoas registrou uma série de casos que reforçam a gravidade da violência contra mulheres no estado. Entre os episódios recentes está a morte de Luana Cristina de Menezes Cabral, 27 anos, encontrada dentro do próprio apartamento no bairro Trapiche da Barra, em Maceió, com um pano enrolado no pescoço. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) como suspeita de feminicídio, e diligências seguem para esclarecer as circunstâncias da morte.
No dia 11 de outubro, a enfermeira Ketyni Maria Gomes da Silva foi assassinada por asfixia no bairro São Jorge, em Maceió. O ex-marido, Jeferson Roberto Medeiros dos Santos, principal suspeito, confessou o crime e teve prisão preventiva decretada. Familiares relataram que Ketyni era vítima de violência doméstica há anos, evidenciando a recorrência de feminicídios precedidos por abusos dentro do lar.
Ainda em Maceió, no bairro Santa Lúcia, uma babá foi morta a facadas na segunda-feira (13), dentro da residência onde trabalhava. O ex-companheiro da patroa, que está preso, não aceitava o fim do relacionamento e atacou a vítima na frente das três crianças do casal. O caso é investigado como feminicídio, mais um exemplo da vulnerabilidade de mulheres em situações de rompimento de relações abusivas.
Na última segunda-feira (20) um corpo decapitado foi encontrado em Coqueiro Seco, na região metropolitana de Maceió, identificado como sendo de Jéssica Daiane Gonçalves da Silva, de 20 anos. A jovem estava desaparecida desde o dia 19 de outubro, quando foi vista pela última vez no bairro do Vergel do Lago, em Maceió. A confirmação foi feita pela própria mãe da vítima, que reconheceu as tatuagens do corpo da filha em fotografias enviadas pela Polícia Civil.
Em Rio Largo, uma mulher de 19 anos e a filha de dois meses desapareceram no dia 12 de outubro. Nesta segunda-feira (20), um corpo que pode ser da mãe foi encontrado em área de mata no Benedito Bentes, próximo havia pertences da bebê. Um suspeito está preso e teria indicado onde os corpos foram deixados. O caso segue sob investigação.
No interior do estado, no Residencial Agreste, em Arapiraca, uma mulher foi encontrada morta dentro de casa no último domingo (19). O corpo estava em estado de decomposição e não apresentava marcas visíveis de violência, mas o caso segue sob investigação da Polícia Civil para determinar se houve feminicídio.
Na zona rural de Senador Rui Palmeira, um duplo homicídio atingiu a comunidade local. Orisvaldo Silva Santos, 30 anos, e Elenita da Conceição Santos, 32 anos, foram atacados com arma branca por um parente do casal, motivado por ciúmes e desavenças familiares. Orisvaldo morreu no local, e Elenita não resistiu aos ferimentos após ser socorrida. O suspeito foi preso, e o caso segue em investigação, reforçando a letalidade de conflitos familiares que envolvem mulheres.
No primeiro semestre de 2025 Alagoas registrou 19 casos de feminicídio entre os meses de janeiro e agosto, segundo o levantamento divulgado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/AL). Os números, embora concentrados em algumas regiões, reforçam a urgência no combate à violência de gênero no estado.
A capital, Maceió, aparece como o município com maior número de ocorrências, foram 4 casos no total, sendo 3 deles apenas no mês de maio. Já Arapiraca, registrou 2 feminicídios ao longo do mesmo período.
O mês com maior número de casos foi maio, com 4 registros, seguido por março e agosto, ambos com 3 ocorrências. Os dados se referem apenas aos crimes tipificados oficialmente como feminicídio quando o assassinato de uma mulher ocorre em razão do gênero, geralmente em contexto de violência doméstica ou familiar.