STF barra visita de Valdemar a Bolsonaro e reabre investigação sobre trama golpista
Ministro Alexandre de Moraes nega pedido do presidente do PL e, por 4 votos a 1, a Primeira Turma decide retomar o inquérito para apurar crimes de organização criminosa e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito
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Em mais um capítulo das investigações sobre os atos golpistas pós-eleições de 2022, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (22) e reforça as restrições impostas ao ex-presidente.
Na fundamentação, Moraes explicitou que a proibição de contato com outros investigados e réus dos processos sobre a trama golpista já estava em vigor desde agosto de 2025. O ministro citou que a medida cautelar inclui a vedação de comunicação "inclusive por intermédio de terceiros", enquadrando a tentativa de visita de Valdemar nesse escopo. A decisão ocorre em um contexto de retomada das apurações, após o STF ter reaberto oficialmente o inquérito sobre o núcleo político do esquema.
A reabertura da investigação foi decidida na terça-feira (21) pela Primeira Turma do STF, por 4 votos a 1. O colegiado, seguindo proposta do relator Moraes, determinou a retomada das apurações sobre os crimes de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O julgamento que resultou nessa decisão condenou integrantes do chamado "Núcleo 4" da trama, grupo acusado de disseminar desinformação contra a segurança das urnas eletrônicas.
Dentre os condenados está Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, ex-presidente do Instituto Voto Legal (IVL). A empresa foi contratada pelo PL de Valdemar Costa Neto para produzir o suposto estudo técnico que embasou a ação do partido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contestando os resultados do primeiro turno das eleições de 2022. A ação utilizou-se de informações falsas para sugerir fraudes no sistema de votação.
Apesar de ter sido indiciado pela Polícia Federal no inquérito da trama golpista no ano passado, Valdemar Costa Neto não foi formalmente denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em nenhum dos quatro núcleos de investigação. Com a reabertura do caso, o cenário processual pode se modificar, aprofundando o escrutínio sobre a participação de lideranças partidárias nos eventos que buscaram manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral.