31 de julho de 2025
combater a desigualdade

Ministro da Saúde defende debate sobre gravidez na adolescência também nas igrejas

No Brasil, 12% dos nascimentos ainda são de mães adolescentes; tema foi destaque em evento regional promovido pela ONU

Por Redação
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Segundo dados da própria ONU, a América Latina e o Caribe têm a segunda maior taxa de fecundidade adolescente do mundo - Foto: MDS

Durante evento realizado nesta terça-feira (21), em Brasília, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a redução da gravidez na adolescência é essencial para combater a desigualdade no Brasil e em toda a América Latina. Para ele, o tema precisa ser debatido nos mais altos níveis políticos e sociais, incluindo escolas e espaços religiosos.

“O enfrentamento à gravidez na adolescência exige diálogo profundo com lideranças religiosas nos territórios. Muitas vezes, são esses espaços que acolhem as populações mais vulneráveis”, declarou Padilha, durante o encontro promovido pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Segundo dados da própria ONU, a América Latina e o Caribe têm a segunda maior taxa de fecundidade adolescente do mundo, atrás apenas da África Subsaariana. São cerca de 1,6 milhão de adolescentes que se tornam mães por ano na região uma a cada 20 segundos. No Brasil, 12% dos nascidos vivos são filhos de mães adolescentes.

Padilha reforçou que, em muitos casos, a gravidez na adolescência é resultado da falta de acesso à informação, a métodos contraceptivos e, principalmente, à proteção contra a violência. “Não se pode falar em gravidez desejada na adolescência. É um reflexo direto da ausência de direitos básicos”, disse.

O ministro defendeu que o tema seja uma prioridade de governo e que envolva todos os setores da sociedade. Ele também prometeu levar a pauta para a reunião de ministros do Mercosul bloco atualmente presidido pelo Brasil.

Entre as ações do governo federal, Padilha citou a incorporação do implante contraceptivo Implanon pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o lançamento da caderneta digital do adolescente. Segundo ele, o Implanon tem se mostrado a melhor opção para o público jovem em projetos-piloto conduzidos pelo Ministério da Saúde.

A ideia é ampliar o acesso ao contraceptivo em unidades básicas de saúde, inclusive permitindo que enfermeiros façam o procedimento. “É preciso adaptar os serviços à realidade da nova geração, que é muito diferente do que vivemos décadas atrás”, afirmou.

Padilha também defendeu a criação de uma política regional, com transferência de tecnologia e cooperação técnica entre países latino-americanos, semelhante ao que já foi feito com vacinas.