PM alagoano será investigado por homicídio, tentativa de homicídio e importunação sexual contra quatro vítimas
Promotoria que atua no controle externo da atividade policial vem acompanhando o andamento das apurações dentro da Polícia Militar
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O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), por meio da 62ª Promotoria de Justiça da Capital, instaurou um procedimento administrativo para aprofundar as investigações sobre graves crimes atribuídos a um policial militar alagoano, identificado como Wellington Pereira da Silva. O caso envolve acusações de homicídio qualificado por motivo fútil, tentativa de homicídio, importunação sexual e lesão corporal contra quatro vítimas distintas.
De acordo com a Portaria, publicada na edição desta segunda-feira (20) do Diário Oficial do Ministério Público, o caso ganhou destaque após uma reportagem veiculada em outubro de 2023, que revelou o episódio envolvendo o policial. Desde então, a Promotoria, que atua no controle externo da atividade policial, vem acompanhando o andamento das apurações dentro da Polícia Militar.
O documento, assinado pela promotora de Justiça Karla Padilha Rebelo Marques, cita que, em resposta a um ofício do MPAL, a Corregedoria-Geral da PMAL informou ter instaurado, ainda em 2023, um Processo Administrativo Disciplinar Simplificado (PADS) para investigar o caso. A portaria de abertura do processo interno foi publicada no Boletim Geral Ostensivo (BGO) da corporação no dia 10 de outubro de 2023.
No entanto, segundo o Ministério Público, até o momento não há informações sobre a conclusão das investigações internas da Polícia Militar, o que levou à conversão da Notícia de Fato em Procedimento Administrativo. A medida visa garantir que o MP tenha acesso aos resultados da apuração e possa decidir sobre eventuais providências criminais e administrativas cabíveis.
A promotora determinou a expedição de novo ofício à Corregedoria da PMAL para obter dados atualizados sobre o andamento e os resultados do processo disciplinar. O MP também deverá realizar novas diligências e registrar o procedimento no Sistema de Automação da Justiça do Ministério Público (SAJMP).
A 62ª Promotoria de Justiça da Capital atua em casos relacionados ao controle da atividade policial e à tutela da segurança pública. O MP reforçou que o acompanhamento visa assegurar a regularidade e a legalidade dos procedimentos policiais, especialmente em situações que envolvem possíveis violações de direitos e condutas graves cometidas por agentes de segurança pública.
Um dos casos
Em outubro de 2023, Rosineide da Costa Silva, de 53 anos, foi assassinada a tiros dentro de casa, no bairro Cidade Universitária, em Maceió. O principal suspeito é o soldado da Polícia Militar Wellington Pereira da Silva, de 35 anos, que foi preso em flagrante e posteriormente teve a prisão preventiva decretada.
Segundo testemunhas, o militar — que apresentava sinais de embriaguez — teria disparado contra Rosineide após ela defender a sobrinha, de 21 anos, alvo de investidas do policial durante uma confraternização. A vítima foi atingida por três tiros e chegou a ser socorrida, mas morreu na UPA Santa Maria.
Em nota enviada à época do crime, a Polícia Militar lamentou o crime e informou que o soldado foi encaminhado ao Presídio Militar, enquanto a corporação prestava assistência à família da vítima.